Por conta das fortes rajadas de vento da semana passada, a lama voltou a aparecer na orla da praia do Cassino, em Rio Grande. Segundo o secretário municipal do Cassino, Miguel Satt, o trecho entre as guaritas 12 e 16 foi tomado pela lama. "São quase dois quilômetros enlameados. Desaconselhamos passeios de carro e bicicleta e até mesmo banho de mar", assinalou.
Com a subida da maré, como normalmente ocorre no outono, a areia é levada para cima da lama, que diferentemente do que ocorreu em novembro de 2025, está mais diluída, não em torrões. "Sempre que ocorrem grandes eventos climáticos, como fortes ventos, o mar tem expurgado lama ou barro", observou. A prefeitura sinalizou o trecho com contenção de areia.
Em nota, a Portos RS confirmou que monitoramentos ambientais mensais indicaram a presença de um bolsão de lama localizado em áreas mais profundas, que na última semana foi transportado para a região mais rasa e acabou alcançando a faixa da praia. "Ressaltamos que o fenômeno possui origem ambiental e hidrodinâmica associada à dinâmica natural da Lagoa dos Patos”, salientou, por meio de nota.
A Portos RS assegurou realizar programas contínuos de monitoramento ambiental e das operações de dragagem, que permitem o acompanhamento detalhado do bolsão de lama, da área de descarte dos sedimentos dragados e das condições operacionais das dragas. “O aparecimento da lama não está diretamente relacionado às atividades de dragagem, sendo os registros esperados em consequência das condições oceanográficas associadas à passagem do ciclone”.
A dragagem de manutenção foi retomada em 21 de março, após o término da janela ambiental de verão definida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). De acordo com a Portos RS, a operação vem sendo executada dentro dos parâmetros licenciados, “sem registro de inconformidades na atuação da draga e no descarte dos sedimentos”.