O Parque Marechal Mascarenhas de Moraes é um dos locais de natureza mais exuberante de Porto Alegre. Com 18,3 hectares, cerca de oito deles de banhado e os demais seis de reserva ecológica, o local, mantido pela prefeitura, abriga uma rara biodiversidade em ambiente urbano, com mais de 170 espécies de aves já catalogadas, segundo o repositório global eBird, liderando o número de observações na Capital.
Por isso mesmo, este oásis natural no bairro Humaitá, na zona Norte, é um dos lugares preferidos por profissionais observadores de todo o país, que vão ao Mascarenhas em busca de catalogar as muitas espécies únicas de garças, socós e saracuras, além de preás e ratões-do-banhado, entre outros animais. Atua ainda como uma esponja natural, retendo a água da chuva e prevenindo alagamentos no entorno. Porém, o que eles têm observado destoa completamente do ambiente natural: lixo, entulhos e descaso com o meio ambiente, em suas próprias palavras.
“É um parque extremamente negligenciado, é um parque com muito acúmulo de lixo, é um parque com muita degradação, muito vandalismo, muitos cães soltos também acabam assediando e atacando a fauna nativa”, disse o coordenador de Educação Ambiental do Clube de Observadores de Aves de Porto Alegre (COA-POA), Augusto Pötter. De acordo com ele, o acúmulo de entulhos causa danos à saúde das aves, principalmente no período reprodutivo.
“O Mascarenhas é uma área essencial pra biodiversidade de nossa cidade. Mas é ambientalmente muito abandonada, até recentemente a prefeitura fez algumas reformas ali, mas nada no sentido ambiental mesmo”, reforçou o vice-presidente do COA-POA, Rafael Nedel. Segundo o grupo, parte do lixo estaria caindo no parque a partir de um monte de entulhos de uma empresa de reciclagem próxima.
Outro problema apontado é uma ponte de madeira sobre o banhado, que está deteriorada e gera risco de acidentes. O entorno das churrasqueiras e quiosques também é frequente ponto de descarte irregular de resíduos, deixado, em sua maioria, por frequentadores. Em seus mutirões regulares, o COA-POA faz também limpezas regulares do lixo, mas o problema persiste e é recorrente. Inaugurado em julho de 1982, o Parque Mascarenhas de Moraes hoje conta também com estádio de futebol, cancha de bocha, pista de patinação, quadra de futebol sete e vôlei.
Lixo no Parque Mascarenhas
O que diz a prefeitura
Procurada, a administração afirmou em nota ter concluído nesta semana melhorias em churrasqueiras, mesas e bancos, além de realizar limpezas em lixeiras diariamente e proceder com o plantio de 62 mudas de espécies nativas no parque. O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) disse que reforçará a limpeza em torno do Mascarenhas de Moraes e a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb) disse que irá interditar a ponte degradada, reconhecendo que o local é usado para descarte feito irregularmente na área de preservação.
Disse também que irá elaborar um laudo técnico para avaliar as condições da estrutura. Após, irá tomar as medidas cabíveis. A Secretaria Municipal de Segurança, por meio da Secretaria Executiva de Fiscalização, disse realizar vistorias a partir de demandas do 156 e inclui o local no cronograma de ações especiais para fiscalização e identificação de eventuais flagrantes.
Leia a nota completa da Prefeitura
Sobre a manutenção do Parque Marechal Mascarenhas de Moraes, no bairro Humaitá, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SmSurb) concluiu nesta semana melhorias em churrasqueiras, mesas e bancos. Os serviços de capina e roçada, realizados mensalmente, estão previstos para o período de 22 a 25 de outubro. A limpeza das lixeiras é feita diariamente.
A ponte sobre o banhado será interditada. O local tem sido utilizado para descarte irregular de resíduos na área de preservação. Um laudo técnico será elaborado para avaliar as condições da estrutura e, posteriormente, serão definidas as medidas cabíveis.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) também está concluindo o plantio de 62 mudas de espécies nativas no parque, como pitangueira, maricá, murta e ipê.
O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) reforçará a limpeza no entorno do parque. Já a Secretaria Municipal de Segurança, por meio da Secretaria Executiva de Fiscalização, informa que realiza vistorias a partir de demandas do 156 e inclui o local no cronograma de ações especiais para fiscalização e identificação de eventuais flagrantes de descarte irregular.