Cidades

Mais de 94% da atividade econômica das indústrias foi afetada pelas enchentes no RS

FIERGS divulgou estudo e apresentou um documento com uma série de propostas para o vice-presidente Geraldo Alckmin para o reerguimento da indústria gaúcha

Devastação que atinge o Estado causou prejuízo à indústria
Devastação que atinge o Estado causou prejuízo à indústria Foto : Ricardo Giusti / CP Memória

O Rio Grande do Sul enfrenta sua maior catástrofe climática e, em consequência, uma das maiores crises econômicas e sociais de sua história recente, devido às severas inundações que atingiram quase 90% dos municípios do estado.

Segundo a atualização do governo do Estado, o número de municípios afetados subiu para 464, abrangendo mais de 94% da atividade econômica estadual. As perdas no setor industrial são alarmantes, conforme aponta um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS).

As enchentes afetaram drasticamente os principais polos industriais do estado, incluindo regiões cruciais como o Vale dos Sinos, a Serra, e a Região Metropolitana de Porto Alegre. “Os locais mais atingidos incluem os principais polos industriais do Rio Grande do Sul, impactando segmentos significativos para a economia do Estado”, afirma o presidente em exercício da FIERGS, Arildo Bennech Oliveira.

De acordo com a FIERGS, o impacto econômico é vasto. As regiões com maior número de municípios atingidos incluem o Planalto (94), Missões (87), Vale do Taquari (51) e Central (46). Em termos de Valor Adicionado Bruto (VAB), as áreas mais afetadas são a Metropolitana (R$ 108 bilhões), o Vale dos Sinos (R$ 65 bilhões), a Serra (R$ 47 bilhões) e o Planalto (R$ 46 bilhões).

No que diz respeito ao VAB industrial, as regiões mais impactadas são o Vale dos Sinos (R$ 25 bilhões), a Metropolitana (R$ 17 bilhões), o Vale do Taquari (R$ 16 bilhões) e a Serra (R$ 15 bilhões).

A produção industrial foi severamente interrompida, afetando estabelecimentos e empregos. O Vale dos Sinos, por exemplo, com 9,1 mil indústrias e 184 mil empregos, a Metropolitana com 8 mil indústrias e 128 mil empregos, e a Serra com 6,6 mil indústrias e 121 mil empregos, são algumas das áreas mais atingidas.

Os setores mais afetados incluem o metalmecânico, veículos e autopeças, alimentos, calçados, tabaco e químicos. As exportações da Indústria de Transformação também sofreram grandes perdas, especialmente nas regiões Sul, Metropolitana, Central e Planalto, com valores significativos comprometidos.

Documento com medidas é entregue ao vice-presidente

Diante do cenário enfrentado, um documento com mais de 40 medidas consideradas “urgentes e necessárias ao reerguimento da indústria gaúcha” foi entregue pela FIERGS ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, na última sexta-feira.

Denominado “Pleitos da Indústria Gaúcha para a Reconstrução do Estado do Rio Grande do Sul”, o documento detalha as necessidades emergenciais para a recuperação das atividades industriais no estado, fortemente abaladas pelas inundações.

A comitiva de industriais, liderada pelo presidente da FIERGS Arildo Bennech Oliveira, foi recebida no gabinete da vice-presidência, no Palácio do Planalto, em Brasília. “A indústria gaúcha foi mais de 90% afetada, porque atingiu as suas regiões mais industrializadas. Faremos todo o empenho para recuperar o mais rapidamente a atividade e manter empregos. Não faltarão recursos, o fundo garantidor e as linhas de crédito devem ser para tudo, desde capital de giro, recomposição de máquinas, equipamentos e prédios”, garantiu Alckmin.

Segundo o presidente da FIERGS, crédito para as empresas, legislação trabalhista e impostos são os temas mais urgentes para preservar empregos. “Precisamos ser rápidos, acreditamos que se essas medidas forem tomadas e o dinheiro chegar a tempo certamente nós vamos ter o Estado novamente de pé em três anos”, afirmou Oliveira.

O documento entregue a Alckmin é dividido em alguns pontos principais: Crédito e Financiamento, Regulação, Tributação, Relações do Trabalho, Infraestrutura, Meio Ambiente e Comércio Exterior.

A FIERGS explica, ainda, que no atual contexto, com estado de calamidade pública decretado no RS, as indústrias necessitarão equalizar seus custos operacionais frente ao novo patamar de receitas, o que implica também na flexibilização das condições de toda a ordem. “É fundamental para o futuro do Rio Grande que mantenhamos, da melhor forma e ritmo possíveis, os segmentos industriais em atividade, pois assim manteremos empregos e renda para a população gaúcha”, diz a FIERGS.