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“Medidas devem estar à altura da magnitude da catástrofe”, diz presidente da Federasul sobre enchente no RS

Primeiro encontro presencial, depois de 39 dias, contou com a participação dos economistas Antônio da Luz, da Farsul; Lucas Schifino, da Fecomércio; Oscar Frank, da CDL POA; e Giovani Baggio, da Fiergs

Análise das Medidas Emergenciais para Contenção de Prejuízos e Retomada Socioeconômica foi o tema do encontro
Análise das Medidas Emergenciais para Contenção de Prejuízos e Retomada Socioeconômica foi o tema do encontro Foto : Pedro Piegas

Nesta terça-feira, a tradicional reunião-almoço do "Tá na Mesa" marcou a retomada das atividades presenciais da Federasul após 39 dias de encontros exclusivamente online. A entidade foi forçada a fechar as portas devido à enchente que atingiu Porto Alegre e outras regiões do Rio Grande do Sul, resultando na interdição do Palácio em 3 de maio.
O primeiro encontro presencial contou com a participação dos economistas Antônio da Luz, da Farsul; Lucas Schifino, da Fecomércio; Oscar Frank, da CDL POA; e Giovani Baggio, da Fiergs. Eles discutiram a “Análise das Medidas Emergenciais para Contenção de Prejuízos e Retomada Socioeconômica”.
A Federasul tem defendido junto ao governo federal um pacote de medidas robustas para salvar empregos e empresas. Mesmo após o anúncio de auxílios pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, considera as ações “insuficientes”. Costa destacou que “as medidas devem estar à altura da magnitude da catástrofe que atingiu o Estado.”
Ele ainda sublinhou que as vítimas da enchente são todos os gaúchos e que "não há espaço para oportunismo em meio a essa tragédia". Ele enfatizou a necessidade de uma resposta mais sensível do governo federal na formulação das medidas de auxílio, afirmando que “o futuro do Rio Grande do Sul depende das ações tomadas agora”.

"Esse país já deu dinheiro a fundo perdido para outros países. Este país já emprestou dinheiro a juros fixo para outros países. O Brasil já perdoou dividas de outros países que tiveram crises humanitárias. E fiz isso, em parte, com o dinheiro de impostos gerados aqui, no RS, que sempre contribuiu com muitos mais impostos federais do que recebeu de volta do governo federal”, declarou.

Schifino também destacou que o Estado precisa reter uma maior parcela dos tributos gerados no Estado. E sobre a resposta empresarial à crise, Schifino observou que houve uma onda de solidariedade, com os empresários evitando medidas tradicionais de ajuste, como aumentar preços. “Eles racionaram e conscientizaram-se sobre a necessidade de não regular pelo preço, mas sim pelo racionamento dos produtos,” lembrou.

Ele criticou a lentidão na implementação das medidas para manutenção de empregos e considerou inadequadas as propostas de crédito, destacando que muitas empresas, mesmo não diretamente afetadas pela enchente, também sofreram com os impactos econômicos. " O auxílio veio no sentido correto, mas em magnitude completamente insuficiente”, falou sobre a MP 1230/2024 que será paga em julho, por dois meses, limitando a um salário mínimo e restrito a empresas alagadas.
Baggio, da Fiergs, apresentou uma pesquisa realizada com 220 indústrias entre 23 de maio e 10 de junho. Segundo o levantamento, 14% das indústrias não foram afetadas pela enchente, 36% foram muito afetadas, e 45% pouco afetadas.
A pesquisa mostrou que as regiões mais impactadas foram o Vale do Sinos e a área metropolitana de Porto Alegre. Além disso, 44% das empresas interromperam suas atividades completamente, enquanto 19% funcionaram parcialmente, e 37% não interromperam. A média de paralisação foi de 14 dias sem faturamento, com 21% das empresas que pararam ainda sem retomada até a conclusão da pesquisa.
Baggio enfatizou a importância de um diagnóstico preciso para que as medidas adotadas sejam eficazes. Ele alertou para a falta de respostas rápidas e a defasagem nos dados estatísticos, sugerindo a consulta a novas bases de dados para um entendimento mais acurado dos danos. “Os prejuízos são enormes e atingem empresas de todos os portes,” destacou.

Além dos danos materiais, Baggio mencionou as perdas de produção e faturamento, ressaltando a necessidade de apoio governamental que leve esses fatores em conta.

Antônio da Luz, da Farsul, criticou o valor disponibilizado pelo Pronampe, afirmando que o R$ 1 bilhão destinado é insuficiente para as necessidades das empresas afetadas. Ele chamou a atenção para a contínua deficiência orçamentária enfrentada mensalmente pelas empresas e a falta de iniciativas mais contundentes por parte do governo.
Da Luz argumentou que, com os R$ 7 bilhões destinados à compra de arroz, seria possível ajudar muitas empresas gaúchas, mas que há um problema de foco e de alocação dos recursos disponíveis. Ele comparou a situação atual com as lições aprendidas durante a pandemia, destacando que, enquanto o setor agropecuário não parou, a enchente afetou a todos indiscriminadamente.

Oscar Frank, da CDL POA, disse que medir os efeitos é muito difícil, pois faltam precedentes históricos e apresentou uma análise do faturamento varejista em comparativo com dados do ano passado. Na semana de 29 de abril a 5 de maio houve uma queda de 15,7 % das vendas no varejo ampliado. Somente na Capital, a queda nominal foi de 17,4%
Frank destacou que em uma situação de crise, é natural uma redução no segmento de bares e restaurantes, vestuário, óticas, dando ênfase aos bens essenciais como supermercado, combustível e farmácia.

A pesquisa também mostrou o recorte da Cielo com os 30 municípios mais impactados em percentual de total de habitante. Entre as cidades estão: Eldorado do Sul com 80%, Estrela 47%, Canoas 44%, São Leopoldo 39%, Roca Sales 36%.