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Mergulhadores identificam fissura maior em parte submersa de barragem em São Marcos

Risco de rompimento iminente mantém cerca de 150 pessoas fora de casa; bombas são usadas para reduzir nível do reservatório de 420 mil m³

Corsan intensificou retirada de água do reservatório para reduzir a pressão sobre estrutura
Corsan intensificou retirada de água do reservatório para reduzir a pressão sobre estrutura Foto : Corsan / Divulgação / CP

O risco de rompimento da Barragem Arroio São Luiz, na Linha Humaitá, em São Marcos, na Serra Gaúcha, manteve, pelo segundo dia, cerca de 150 pessoas fora de casa. Na quarta-feira, equipes da Corsan identificaram trincas com vazamento no vertedouro e em partes do contraforte. Já nesta quinta-feira, durante um reconhecimento submerso, mergulhadores identificaram indícios preliminares de uma fissura de maiores proporções na parte submersa da estrutura, além de possível deformação da parede da barragem.

Um Posto de Comando foi instalado no local para coordenar as ações das equipes do Corpo de Bombeiros Militar, Defesa Civil, Brigada Militar, Corsan e órgãos municipais. Uma reunião com autoridades estava prevista para o início da noite desta quinta-feira para discutir a situação e as próximas medidas.
A estrutura é monitorada continuamente por equipes técnicas e de mergulho. A avaliação dos especialistas deve subsidiar um laudo técnico previsto para sexta-feira, que deverá orientar as próximas medidas de manutenção, contingenciamento e eventual retorno das famílias.

Redução do nível

A Corsan intensificou a retirada de água do reservatório como medida de segurança para reduzir a pressão sobre a estrutura e permitir o trabalho dos técnicos e mergulhadores. O volume do reservatório é de aproximadamente 420 mil metros cúbicos.
Atualmente, são utilizadas quatro bombas, além do descarregador de fundo da barragem e de mangotes. O conjunto permite retirar cerca de 3,2 milhões de litros de água por hora.

Duas bombas flutuantes oferecidas pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre (Dmae) à Defesa Civil foram deslocadas para São Marcos e deveriam ser incorporadas à operação até o início da noite desta quinta-feira.

“Os trabalhos hoje se intensificaram com o objetivo de manter o foco no esvaziamento do volume de água da barragem, para dar mais segurança aos mergulhadores e técnicos da Corsan para tentarem descobrir, identificar onde começou o risco, os motivos e tentar achar a correção para o problema”, disse Cristiano, coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil de São Marcos.

A presidente da Corsan, Samanta Takimi, acompanha os trabalhos no município.
“Desde o primeiro momento, estamos mobilizando todos os recursos necessários para dar agilidade e segurança à operação. Uma situação como esta exige capacidade técnica, prontidão e união de esforços”, afirmou.

Além da retirada da água, mergulhadores especializados realizam inspeções em áreas internas do vertedouro e em partes do contraforte da barragem. As informações devem complementar a avaliação dos especialistas contratados pela Corsan e orientar as próximas intervenções.

Evacuação

Como medida preventiva, cerca de 150 pessoas foram evacuadas das áreas de risco. A região possui 60 edificações, entre residências, indústrias e a Escola Antônio Pessini, que atende cerca de 220 alunos e teve as aulas suspensas.

Não há previsão para o retorno das famílias às áreas evacuadas. Para eventual acolhimento, o Centro de Eventos Alexandre Zaniol foi definido como ponto de abrigo, com capacidade para cerca de 400 pessoas. Também foram disponibilizadas vagas em hotéis.

A situação levou a Defesa Civil estadual a emitir um alerta vermelho de perigo muito alto para colapso iminente e a acionar o sistema de alerta Cell Broadcast às 15h53. O aviso foi emitido como medida preventiva diante da possibilidade de colapso da estrutura.
O mecânico Velci Alves da Silva, de 68 anos, foi um dos moradores que recebeu o alerta e deixou a residência com a esposa e a filha pequena.

“Eu recebi o alerta no celular, daí eu peguei uma Kombi e juntei uns forros de cama e coisarada tudo, e fomos para casa de um parente”, disse ele ao retornar à região nesta quinta-feira para tentar buscar medicamentos que ficaram na casa.

Também houve a interdição preventiva de aproximadamente 600 metros da Rodovia Padre Pedro Rizzon, nos dois sentidos, na região da Igreja São Luiz e da escola.
O bloqueio alterou a rotina de moradores que vivem ou trabalham nas proximidades da barragem. Júnior Daros, que trabalha em uma indústria na região, afirma que precisa fazer um trajeto mais longo para chegar em casa desde a interdição.

“Por aqui eu levo uns sete, oito minutos para chegar em casa. Agora, pela volta que tem que dar, nós levamos uns 25 minutos. Mas segurança em primeiro lugar”, afirmou.

O que aconteceu

A situação da Barragem Arroio São Luiz chamou a atenção das autoridades após equipes da Corsan identificarem trincas com vazamento no vertedouro e em partes do contraforte da estrutura. A identificação ocorreu durante vistorias realizadas na quarta-feira, após as chuvas intensas registradas na região.

São Marcos registrou 174 milímetros de precipitação em menos de 24 horas, enquanto a média histórica de todo o mês de setembro é de aproximadamente 163 milímetros. O volume provocou uma elevação significativa do nível do reservatório.

Diante da situação, a Corsan acionou o Plano de Ação de Emergência (PAE), ampliou o monitoramento da estrutura e adotou medidas preventivas para proteger a população das áreas que poderiam ser atingidas em um eventual cenário de emergência.

A resposta é coordenada por uma força-tarefa formada por Corsan/Aegea, Defesa Civil estadual, Prefeitura de São Marcos, Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Brigada Militar e Corpo de Bombeiros. Um gabinete local de incidente foi instalado no município.

As equipes permanecem em monitoramento contínuo, com controle de acesso à área da barragem. A orientação é que a população acompanhe as informações divulgadas pelos canais oficiais da Prefeitura e da Defesa Civil.

O abastecimento de água de São Marcos permanece normal. Segundo a Prefeitura, a redução do nível da barragem está sendo realizada de forma a preservar o fornecimento à população. O reservatório é utilizado pela Corsan para a captação de água e abastece grande parte do município.

E se romper

Segundo o governo do Estado, em um eventual rompimento, a mancha de inundação ficaria restrita à região próxima à barragem. O reservatório tem aproximadamente 420 mil metros cúbicos de água.

A Corsan informou que o alerta é direcionado aos imóveis próximos à barragem e às margens do Rio Jaguari. Segundo a companhia, as demais áreas de São Marcos não estão sob risco.

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