O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Gabinete de Mudanças Climáticas (GabClima) e do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), está articulando a realização de uma prova de conceito (POC) para mapeamento de áreas de risco em São Lourenço do Sul. A iniciativa envolve a startup Hyven e integra o programa BRDE Labs, que conecta organizações a startups para o desenvolvimento de soluções inovadoras voltadas a desafios reais.
Em reunião realizada com a participação da Prefeitura de São Lourenço do Sul, da coordenadora do Gabclima, procuradora de Justiça Sílvia Cappelli, e da diretora do ICT, Letícia Batistela, a Hyven apresentou uma solução tecnológica para identificação e análise de áreas suscetíveis a riscos. A ferramenta contribui para ações de prevenção e adaptação frente a eventos climáticos extremos.
Sílvia afirma que esta é uma iniciativa inédita de tecnologia que vai auxiliar os municípios com um produto tecnológico para avaliação e mapeamento de imóveis considerados críticos em áreas de risco. "Estamos testando soluções que podem apoiar os municípios na prevenção e resposta aos desafios climáticos, além de gerar referências que possam ser replicadas em outras regiões do Estado", disse.
Validação da solução
Os próximos passos do projeto incluem a análise de documentos encaminhados pelo município e, posteriormente, a realização de visita técnica para validação da solução em campo. Segundo informações do prefeito Zelmute Marten, o acordo deve ser assinado ainda este mês em um evento em Porto Alegre.
"O MP selecionou para que a startup aplique em São Lourenço uma tecnologia ligada a inteligência artificial que vai oferecer quatro diagnósticos científicos e digitais para colaborar com os instrumentos de planejamento da cidade", observou. Marten afirmou que o trabalho ajudará a atender a determinação do Ministério Público para que todos os municípios que estiveram em calamidade em 2024, elaborem um plano diretor conectado com a resiliência climática.
Eventos climáticos extremos
Para ele, o MPRS tem uma compreensão de que as estratégias de resiliência climática, de governança climática e de inciativas em curso em São Lourenço do Sul são um exemplo bem-sucedido para o Brasil. "Segundo o estudo do Serviço Geológico do Brasil, a partir de 1983, conforme estudo da Universidade Federal de Pelotas, a cidade está em emergência ou calamidade em razão de eventos climáticos extremos anuais", observou.
O trabalho terá duração de 120 dias e irá diagnosticar a situação de todos os prédio públicos e dos imóveis de São Lourenço do Sul que estão situados às margens do rio São Lourenço, do arroio Carahá e da Lagoa dos Patos. "Será feito um levantamento combinado com o plano de contingência local de todos os equipamentos públicos usados em eventos climáticos extremos e a situação atual de cada uma das 350 pontes existentes na cidade", assinalou.