Cidades

Moradora do bairro Sarandi, em Porto Alegre, aguarda auxílio Estadia Solidária para recomeçar

Prazo para cadastramento no Registro Unificado termina hoje

Moradias próximas ao Arroio Sarandi, Vila Fátima atingidas pela enchente.
Michele Ribeiro, xale preto e Letícia Nogueira, blusa branca
Moradias próximas ao Arroio Sarandi, Vila Fátima atingidas pela enchente. Michele Ribeiro, xale preto e Letícia Nogueira, blusa branca Foto : Ricardo Giusti

No bairro Sarandi, zona norte de Porto Alegre, a vida de Letícia Nogueira, de 21 anos, mudou drasticamente após sua casa ser atingida pela enchente devastadora, em maio deste ano. Ela e sua família vivem há seis meses na região e agora enfrentam a difícil situação de ver sua casa tornar-se inabitável devido à invasão das águas do dique Sarandi.

Letícia observa que alagamentos no local são vistos como normais, e a primeira inundação que ela enfrentou foi em janeiro. Em maio, as águas subiram rapidamente durante a noite. Letícia revela que saiu de casa apenas com algumas mudas de roupas, mesmo não acreditando que a água poderia subir tanto.

"Se a gente tivesse ficado, não teria como sair. Eu levei uma mochila de roupa. No outro dia não dava para atravessar a ponte”, lembra.

Moradias próximas ao Arroio Sarandi, Vila Fátima atingidas pela enchente. | Foto: Ricardo Giusti

Sobre as ações das autoridades, Letícia se mostra cética. "Sempre chove, sempre enche, e parece que nada muda. Espero que desta vez seja diferente", desabafa, refletindo a frustração com a falta de soluções duradouras para os problemas causados pelas enchentes recorrentes na região.

Atualmente Letícia aguarda o auxílio Estadia Solidária da prefeitura de Porto Alegre para sair do local. Ela afirma que não tem como alugar outro espaço e que todo o dinheiro que a família tinha foi investido na compra da casa. "Se eu recebesse as parcelas de mil reais eu sairia daqui”, afirma, ressaltando que não entende o porquê que seu cadastro não foi liberado. “O Estadia Solidária foi recusado. Eu já recebi o auxílio Reconstrução e comprei alguns móveis”, conta.

A sua sogra, Michele Ribeiro, morava no mesmo terreno há 17 anos e depois da enchente decidiu sair do local. Mas afirma que fica com o coração apertado em saber que a sua família ainda está no terreno que pode voltar a ficar submerso a qualquer momento.

“Agora a água entra pela parte de trás também”, destaca. Michele ainda conta que os vizinhos ajudaram uns aos outros no dia da enchente e que agora aguardam a visita da Defesa Civil para avaliar as estruturas das casas.

De acordo com a prefeitura, mesmo que o cadastro de Letícia apresente a informação equivocada de que ela não tem inscrição no Cadastro Único do Governo Federal (CadÚnico), o benefício dela não foi recusado e “pode ser que seja pago em um próximo lote”, que não tem data prevista para ocorrer.

Desde o dia 17 de junho foram pagos seis lotes. Estão aptas para receber o auxílio 3.944 famílias e 2.879 já receberam. O número de famílias que não manifestou a confirmação para o recebimento chega a 1.050. É necessário que a família confirme a mensagem enviada pela prefeitura.

Hoje é o último dia para que as famílias diretamente atingidas pela enchente de maio realizem o castro no Registro Unificado PMPA, que tem a finalidade de identificar o público atingido e qualificar dados para encaminhar à elegibilidade em programas sociais dos três níveis do poder executivo. O cadastro pode ser online ou presencialmente e o sistema permanecerá disponível apenas para alteração dos dados já cadastrados.

Auxílio Reconstrução
- Prazo para cadastramento: sexta-feira, 12, às 17h.
- Prazo envio dos dados ao governo federal: sexta-feira, 12, às 23h59.
- R$ 5,1 mil por família.
Critérios:
- Famílias desalojadas ou desabrigadas residentes em áreas inundadas ou danificadas por enxurradas ou deslizamentos em decorrência dos eventos climáticos nos municípios que tiveram a situação de emergência ou o estado de calamidade pública.
Estadia Solidária
- Prazo para cadastramento: sexta-feira, 12, às 17h.
- R$ 1 mil por até 12 meses.
Critérios:
- Morador de Porto Alegre de área atingida pela enchente de maio, segundo critério da Defesa Civil Municipal;
- Cadastro no Registro Unificado Municipal e autodeclarar que a sua residência não está habitável;
- Inscrição no Cadastro Único do governo federal (CadÚnico);
- Ser morador/família com renda mensal informada no CadÚnico de até meio salário mínimo por pessoa (R$ 706).