Os moradores da zona sul de Porto Alegre amanheceram com a água do Guaíba entrando em suas casas. No Guarujá, Julio Santos Souza, que tem os pais de 80 anos ilhados na casa em que moram, na rua Oiampi, dispensou a ajuda que havia solicitado dos bombeiros. Julio acionou os militares, mas depois entendeu que a situação de sua família não era tão urgente e os agradeceu: "Os senhores podem ajudar alguém que esta precisando mais. Eu vou conversar com eles para colocar eles no segundo andar de uma casa vizinha", disse.
Segundo Júlio, seus pais se recusam a deixar a casa em que moram há anos. Chorando, Júlio disse que entende que seus pais não quiam sair e deixar os pertences da casa, mas que daria um jeito de comprar tudo de novo.
Os bombeiros vestiram seus equipamentos e começaram buscas pela avenida Guaíba, onde a água já está na altura dos joelhos.
Um vizinho, Leandro Santos Jardin, acordou com 10 cm de água em casa. "Em setembro [uma das enchentes anteriores], q agua subiu mais, mas dessa vez foi mais rápido", lamentou Leandro.
Já Leonardo Kolling, que mora a poucos metros acima, afirma que a chuva subiu com mais intensidade que as enchurraas anteriores. Leandro começou a empilhar sacos de areia em casa, e deve levar outros para a casa de sua mãe, que mora em outra quadra.
Moradores da rua Orleas, no mesmo bairro, carregam o que podem para evitar a enchente. Amanda César Castro, pediu ajuda ao pai, Paulo, que é motorista de caminhão, para salvar seus móveis. A água ainda não entrou em sua casa, mas já entra em seu quintal. "Da minha cerca, da 20 metros de praia ate chegar no Guaíba", Lamentou Amanda sobre o nível da água que ameaça sua casa.
"Nunca achei que passaria por isso", disse Amanda. A ideia da família, é levar os móveis para algum lugar mais alto, para poder usar o caminhão para mais resgates.
Toda a comunidade que mora na avenida, especialmente ao lá da estação do DMAE, estão carregando tudo que podem para sair do local.