Moradores do bairro Sarandi, na zona norte de Porto Alegre, sofrem há mais de 20 dias com os alagamentos na região. A situação se agravou com o volume de chuva acumulado nos últimos dias, e para cobrar solução por parte da prefeitura, aproximadamente 60 pessoas protestaram na tarde desta segunda-feira.
Com faixas, cartazes, batendo panelas e gritando “fechem o dique”, o grupo bloqueou os dois sentidos da avenida Assis Brasil nas imediações da avenida Francisco Silveira Bitencourt por aproximadamente 30 minutos. Em seguida, caminharam por Assis Brasil até os preços com a avenida Sertório, onde foram atendidos por mais de uma hora. A manifestação foi acompanhada por pelo menos dez viaturas da Brigada Militar e agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).
Conforme moradores do local, a região está tomada pela água desde o dia 3 de maio. As casas de bombas da região ficaram alagadas e pararam de operar; A situação se agravou quando as diques próximas da Fiergs e da Vila Nova Brasília não suportaram o volume de água e extravasaram.
“Na nossa casa ainda não dá pra chegar se não for de bote. É muito triste, estamos muito cansados, nem sabemos se vamos voltar a morar, provavelmente vamos sair de lá, mas precisamos fechar este ciclo”, revela a jornalista Letícia Szczesny da Silva, 26 anos, que vivia com os pais em uma casa na Avenida 21 de abril.
As ruas mais próximas ao dique estão completamente abaixo da água. As ruas Pandiá Calógeras, Figueiredo Mascarenhas e Vieira da Cunha são alguns exemplos.
Para o mecânico Edegar Araújo da Silva, morador há 46 anos no bairro, além das diques, a instalação de bombas de drenagem no bairro podem reduzir o tempo de espera pelo fim da enchente. “Eu estou há 25 dias fora de casa, não tem mais cabimento, fomos esquecidos, ninguém resolve nada”, reclama.
Neste fim de semana o Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE) concluiu a instalação da terceira bomba na região. O objetivo é drenar a água acumulada no entorno das estações de bombeamento de água pluvial (Ebap) números 9 e 10, reativando as bombas que atuam na proteção do bairro contra cheias.