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“Não aguento mais”: moradores de Eldorado do Sul voltam para casa após nova cheia

Com a redução do nível do rio Jacuí, famílias deixam abrigo na Estrada do Conde, que pode ser desativado ainda nesta segunda-feira

Janaína da Rosa perdeu três cachorros nas cheias de 2024 e para não perder os dois novos aceitou ir para o abrigo em Eldorado do Sul
Janaína da Rosa perdeu três cachorros nas cheias de 2024 e para não perder os dois novos aceitou ir para o abrigo em Eldorado do Sul Foto : Alina Souza

Em Eldorado do Sul, o rio Jacuí segue em queda após sair da faixa de inundação e entrar na cota de atenção. Com o recuo da água na região Norte do município, as famílias que haviam deixado suas casas começaram a retornar. Com isso, o abrigo instalado no antigo Ginásio Bamerindus, na Estrada do Conde, pode ser desativado até o fim desta segunda-feira.

Segundo o coordenador da Defesa Civil do município, Mário Rocha, a situação é considerada mais segura, o que permitiu o retorno gradual dos moradores. No pico da cheia, o abrigo acolheu 31 pessoas e até domingo, permaneciam 18.

Recomeçando novamente

Entre os moradores que voltaram para casa nesta segunda-feira está a cozinheira Janaína da Rosa, moradora do bairro Cidade Verde desde os oito anos de idade. Ela foi levada preventivamente para o abrigo na madrugada de sexta-feira, quando a água começou a invadir a residência. Janaína conta que a rua já estava alagada desde quinta-feira, mas a situação se agravou durante a noite. Primeiro, a água subiu pelo ralo do pátio. Depois, começou a surgir pelo ralo do box do banheiro e avançou rapidamente pelos cômodos da casa.

A lembrança da enchente de 2024 foi decisiva para que ela deixasse o imóvel. Na ocasião, perdeu três cachorros de estimação devido à velocidade com que a água subiu. Desta vez, com medo de colocar em risco suas duas novas cadelas, decidiu ir para o abrigo, que só recebia animais acompanhados pelos tutores.

Antes de serem levados ao local, por volta das 4h de sexta-feira, os animais, assustados com o avanço da enchente, chegaram a rasgar o sofá da sala. “Até eu, que já tinha passado por isso, fico nervosa. Não adianta. A água sobe e dá um desespero”, relata. O sofá, além de rasgado, ficou encharcado e precisará ser descartado.

Janaína foi levada pela Defesa Civil de volta para casa nesta segunda-feira e iniciou a limpeza da residência com matériais entregues pelo órgão. “Isso aqui é o que me deixa no extremo dos nervos”, desabafa ao mostrar o interior da casa, ainda coberto por barro.

Ela conseguiu elevar a geladeira e o fogão antes da inundação, mas não teve tempo de salvar a cama, que também foi danificada. As louças e panelas que conseguiu preservar das enchentes anteriores foram guardadas dentro do roupeiro, na tentativa de protegê-las da água.

“Eu tô cansada, gente. Já tô com 50 anos. Esse negócio de perder tudo, ir e voltar, eu não aguento mais”, diz a cozinheira, que está desempregada e afirma que as enchentes sucessivas mudaram a realidade do bairro Cidade Verde. De acordo com ela, com a saída de moradores e o fechamento de estabelecimentos após a enchente de 2024, as oportunidades de trabalho também desapareceram.

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