Foi lançada, nesta terça-feira, a Carta de Contribuições para uma Porto Alegre mais Resiliente e Preparada para as Mudanças Climáticas pela Inovação, reunindo assinaturas de membros do Coalizão RS, Ministério Público do RS (MPRS) e Pacto Alegre. A assinatura ocorreu um painel do segundo dia do POA Climate Action Week, realizado no Tecnopuc. O evento, que prossegue com diversas atividades nesta semana, ocorre em meio a um alerta climático da Defesa Civil Estadual, para fortes chuvas, vento e possibilidade de transtornos, como, de fato, ocorreram na Capital.
“Não é uma coincidência, é uma realidade que o mundo inteiro está vivendo. Isso faz parte de um novo contexto de emergência climática, onde estes eventos meteorológicos e hidrológicos serão mais constantes, mais frequentes e mais intensos”, disse a procuradora de Justiça Silvia Cappelli, coordenadora do Gabinete de Estudos Climáticos (GabClima) do MPRS.
A carta em si “propõe diretrizes para uma agenda permanente de adaptação e resiliência climática, voltada à proteção das pessoas, à redução das vulnerabilidades e à incorporação da ciência, dos dados e da inovação nas decisões públicas e privadas”, como o fortalecimento da governança climática, qualificação da preparação e resposta a crises, com formação continuada de agentes públicos e lideranças comunitárias; aprimoramento dos mecanismos de resposta a emergências e calamidades; entre outros. A parceria será em três dimensões, sendo uma delas a criação do Observatório da Resiliência, que deve ser lançado na sexta-feira, para a agilização de projetos penados para a adaptação às mudanças do clima.
O diretor executivo da Coalizão RS, Tarso Oliveira, explicou que o grupo é multissetorial, com organizações da Academia, empresários, institutos e federações, “focados no avanço de uma agenda de reconstrução e resiliência climática no Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024”. Para ele, diante das questões climáticas do presente, como a tormenta desta semana, “novas formas de pensar em fazer são necessárias”.
“Isso (coincidência entre os temporais e a assinatura da carta) mostra para a gente a importância de não negligenciarmos este ponto, e trazermos ele de forma recorrente para uma cidade que tem sido afetada por estas questões, que não são de hoje. Temos as estiagens também que afetam nossa economia de forma direta. Trazendo este engajamento da sociedade civil organizada, acho que estamos no rumo certo para buscar soluções”, comentou ele. “De certa forma, o que aconteceu em 2024 aqui está começando a acontecer no mundo todo, então autoridades de outros locais estão buscando o exemplo daqui para replicar para suas comunidades”.