Depois de um navio encalhar por cerca de cinco dias em um canal do Delta do Jacuí, aumentou o número de relatos de embarcações que apresentam problemas ao navegar pelo Guaíba e pelo rio Jacuí depois da enchente. Segundo o empresário Werner Barreiro, diretor executivo da Navegação Guarita, a navegação na região está comprometida em função dos bancos de areia e demais sedimentos que dificultam o trânsito de embarcações em canais e trechos específicos.
Barreiro conta ainda que, apenas nas duas últimas semanas, três embarcações da empresa sofreram danos em função da água rasa do Guaíba e do rio Jacuí. O temor é ainda maior, considerando a tendência de que o nível se aproxime da normalidade e ainda possa reduzir com a chegada dos meses mais quentes do ano. Ainda conforme o empresário, os trechos considerados críticos são os canais do Leitão, perto de Guaíba, de Pedras Brancas, na Capital, e o Furado Grande, em Canoas.
“Tivemos embarcações tocando no fundo quando o nível estava 1,5 metro acima do normal. Se raspou assim, assim que a água voltar ao nível normal, o navio só conseguirá passar navio ou com menos carga. E isso resulta na baixa produtividade e custos elevados por tonelada transportada. Esses bancos de areia também podem causar danos graves na estrutura da embarcação”, apontou.
Barreiro ressalta que as embarcações regionais de navegação interior, que possuem um fundo chato, são as possuem um aproveitamento melhor. Entretanto, ele cita que são as embarcações maiores as responsáveis por transportarem produtos como gás liquefeito de petróleo e fertilizantes.
“Essas embarcações estão seriamente comprometidas a navegar em Porto Alegre e região. Atualmente, não precisa fazer algum trabalho no Guaíba inteiro, mas seria essencial atuar emergencialmente nestes pontos críticos, de pior calado. Depois disso e com tempo, aí sim pensar em uma dragagem de percursos maiores. Mas, do jeito que está, quem trabalha no setor não sabe o que fazer e não tem a quem recorrer”, completou.
Além disso, o deputado estadual Capitão Martim também reforçou a necessidade de serviços de dragagem pontuais baseadas em estudos hidrológicos, por conta de seus impactos econômicos e o efeito contra futuras inundações.
“Estes estudos já estão sendo elaborados pela Secretaria do Meio Ambiente, e estou buscando junto ao 5º Distrito Naval a utilização de um equipamento ‘Side Scan Sonar’, similar a um minitorpedo que o navio reboca para escanear o perfil do canal de navegação de Porto Alegre até o farol de Itapuã para um mapeamento”, finalizou.
Procurada, a Autoridade Portuária dos Portos do Rio Grande do Sul (Portos RS) esclarece que o problema de assoreamento dos canais de navegação está diretamente relacionado aos recentes eventos climáticos que culminaram na maior enchente da história do estado. Confira a nota completa da autarquia:
“A sedimentação de objetos trazidos pela correnteza evidenciou a necessidade de uma dragagem na hidrovia e desde a constatação do problema a Autoridade Portuária vem buscando junto ao Ministério de Portos e Aeroportos e o Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (DNIT) o apoio para a realização desta obra. Em reuniões com a diretoria da Empresa Pública, houve o comprometimento do governo federal em fazer o contrato de batimetria e dragagem.
A batimetria consiste em uma leitura do leito dos canais e o resultado dessa análise fornece as informações necessárias para a execução do projeto. No entanto, a efetivação da dragagem está diretamente relacionada ao empenho de recursos federais, conforme prometido pela União. Nesse sentido, a Portos RS trabalha junto à autoridade marítima para tratar sobre a manutenção da navegação em novos parâmetros de segurança até que a dragagem ocorra.
As questões levantadas na reportagem foram objeto de recente reunião entre as empresas atuantes e a Portos RS. Na oportunidade, também houve o esclarecimento aos interessados sobre a complexidade da situação e os trâmites legais que envolvem a contratação.
A Empresa Pública vem acompanhando essa situação como um todo e reforça que está empenhando seus esforços técnicos para a retomada das profundidades dos canais de navegação da hidrovia. O desassoreamento de acessos aos municípios está sendo trabalhado pelo Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA), dentro de um plano estabelecido para a minimização dos efeitos das enchentes.”