Cidades

Nível do Guaíba baixa na Ilha da Pintada e moradores iniciam limpeza das casas

Mesmo com o recúo, rua Nossa Senhora da Boa Viagem, às margens do corpo d'água, ainda tem trechos inacessíveis a pedestres

Rescaldo de alagamentos na Ilha da Pintada, bairro Arquipélago, em Porto Alegre. Moradora Cristina Souto faz limpeza de sua residência.
Rescaldo de alagamentos na Ilha da Pintada, bairro Arquipélago, em Porto Alegre. Moradora Cristina Souto faz limpeza de sua residência. Foto : Alina Souza

Na Ilha da Pintada, em Porto Alegre, o nível da água começou a recuar, permitindo que moradores iniciassem a limpeza das áreas atingidas pela cheia. Segundo o boletim mais recente da Defesa Civil, o Guaíba segue em redução. Na manhã desta segunda-feira, por volta das 10h, a medição no local era de 2 metros. No domingo, no mesmo horário, o nível registrado era de 2,18 metros.

A rua Nossa Senhora da Boa Viagem, às margens do Guaíba, ficou alagada em quase toda a sua extensão nos últimos dias, com alguns trechos em que a água impedia completamente a passagem de pedestres. Nesta segunda-feira, embora o cenário já fosse de recuo, ainda havia pontos onde a água cobria completamente a calçada.

“Agora conseguimos dormir"

Em um destes locais, fica a casa da aposentada, Cristina Souto, que aproveitava o recuo para limpar o quintal sujo de barro trazido pela enchente. Segundo ela, a água começou a subir na terça-feira, chegando até a parte mais baixa do terreno, mas começou a baixar no domingo.

“Agora conseguimos dormir. Fazia noites que eu ficava acordada monitorando a água. Todos nós aqui ficamos”, conta Cristina, que lembra que a enchente de 2024 deixou marcas profundas na comunidade.

Tutora de três cães, ela diz que o trauma também afetou os animais. Um deles, Zeus, precisou ser resgatado de barco após fugir durante a cheia de 2024 e, desde então, demonstra sinais de ansiedade sempre que o nível do Guaíba volta a subir. Nesta segunda-feira, ele acompanhava atento a movimentação da tutora, que lavava o pátio com a água que ainda cobria parte da calçada, enquanto alertava quem passava pela rua.

“Fiquem longe dos bueiros. Não dá para enxergar nada, é um perigo cair aqui”, advertia a aposentada que, com a rua em frente à casa alagada e inacessível, precisou utilizar uma passagem improvisada pelos terrenos dos vizinhos para conseguir sair de casa na última semana.

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