Cidades

Obras do Quadrilátero Central retomam em Porto Alegre com reclamações de comerciantes do Centro Histórico

Sujeira e pedras soltas são transtornos para quem trabalha no entorno dos trabalhos ainda em andamento

Marizete, em frente a trecho da obra, reclama de más condições de acesso e muito pó no interior do estabelecimento
Marizete, em frente a trecho da obra, reclama de más condições de acesso e muito pó no interior do estabelecimento Foto : Camila Cunha

As obras do Quadrilátero Central, no Centro Histórico de Porto Alegre, retornaram nesta terça-feira depois do recesso de Natal e Réveillon, mas seu andamento ainda causa preocupação entre comerciantes e pessoas que circulam pela região. Na esquina da rua Dr. Flores com Gen. Vitorino, a gerente de uma loja de produtos ortopédicos, Marizete da Rosa, reclama do excesso de poeira a partir de caminhões que despejam materiais continuamente bem em frente ao seu estabelecimento.

Eles já causaram prejuízos financeiros e estão espantando a clientela no local. Na manhã desta terça-feira, Marizete exibiu a camada de poeira existente em praticamente todos os produtos, requerendo que a limpeza seja reforçada todos os dias. O pó escuro também é prejudicial à saúde. “Somos uma loja que comercializa produtos médicos, então temos que cuidar ainda mais. Só que nossa situação é muito triste”. Dá vontade de chorar”, contou ela.

As pedras soltas em frente à obra também estão sendo prejudiciais, e a Dr. Flores já é estreita, e ainda carros estacionam no lado mais à esquerda. Ela conta ainda que um bloqueio de fita zebrada de sinalização foi rompido pelos próprios funcionários há alguns dias, de maneira deliberada, para fazer com que os clientes, especialmente pessoas com deficiência, pudessem acessar a calçada.

Obras do Quadrilátero Central são retomadas nesta terça-feira, 7/01 | Gerente de loja em frente a trecho da obra reclama de más condições de acesso e muito pó no interior do estabelecimento | Foto: Camila Cunha

Mesmo assim, entre a via e o passeio para pedestres, faltam pedras, aumentando o transtorno para quem quer cruzar a via. “Só vêm aqui os engenheiros e tiram fotos, e depois vão embora. Não tem um avanço concreto”, acrescentou ela. No momento em que a reportagem esteve no local, não havia trabalhadores nesta área. O acúmulo de pó e barro é tão grande que, também segundo a gerente, o peso do material entortou parte da porta principal.

Não bastasse isso, no final de 2024, fortes chuvas fizeram com que água com barro descesse a rua, adentrando diretamente na porta do estabelecimento, devido ao estouro de um bueiro, também de acordo com ela. Assim, os funcionários concretaram eles próprios um tijolo na descida para desviar a água, e mantiveram alguns itens acima de pallets. Também as pedras soltas são potencialmente objetos de furto. A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) foi procurada, mas não encaminhou resposta até o fechamento desta reportagem.