As obras emergenciais de proteção contra cheias entre os bairros Sarandi e Anchieta, na zona Norte de Porto Alegre, chegaram a 30% de conclusão, divulgou o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) nesta semana. Iniciados no último dia 26 de junho, os trabalhos foram apelidados pelo prefeito Sebastião Melo de “operação chinesa”, em alusão à velocidade da elaboração e análise do projeto, feitos pelo consórcio Eurosinos, formado pelas empresas Eurovia Construtora e Bombas Sinos, vencedor do certame.
O investimento é de R$ 47 milhões para a implantação de barreiras de proteção nos pontos de encontro do rio Gravataí com os arroios Passo das Pedras e Areia. Potencialmente, as intervenções, iniciadas mais de dois anos após as enchentes de 2024, devem impedir o avanço das águas dos pôlderes 7 e 8 durante eventuais episódios de cheia, incluindo a área do Aeroporto Internacional Salgado Filho. “As obras avançam em ritmo acelerado. Nos últimos dias, atuamos na concretagem da fundação que receberá quatro linhas de galerias, cada uma com 45 metros de extensão. Essa é uma das etapas mais importantes do projeto e permitirá o avanço das próximas fases”, disse o diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone.
Durante a vistoria, no final de junho, Melo disse que a obra “tem de estar pronta antes do final de julho”, embora, em contrato, a intervenção está prevista para terminar em agosto. O começo, inclusive, foi antecipado em cerca de dez dias. No arroio Passo das Pedras, as equipes atuam na construção de um novo dique com 100 metros de extensão. O curso d'água foi temporariamente desviado para viabilizar as intervenções, mas voltará ao seu leito original, por dentro das galerias, após a conclusão da nova estrutura.
Em caso de necessidade, comportas impedirão o avanço das águas do rio Gravataí para a área protegida. Paralelamente às obras civis no Passo das Pedras, o consórcio responsável pela execução do projeto fabrica as comportas que integrarão o sistema móvel de fechamento das galerias entre o arroio Areia e o rio Gravataí. Também está em andamento a aquisição dos geradores, eletrocentros e bombas flutuantes de alta capacidade previstos no projeto.
Conforme estudo elaborado pelo Dmae em parceria com consultores especializados, a obra não terá impacto negativo relevante nos municípios vizinhos à Capital. A iniciativa antecipa a primeira etapa do projeto de proteção da bacia do rio Gravataí, liderado pelo governo do Estado, enquanto nas próximas, o Dmae pediu ao Piratini e à União uma mudança na concepção do projeto. Se aprovada, a proposta incluirá a construção de uma grande bacia de amortecimento permanente e de duas novas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps).