Representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) iniciam, nesta quinta-feira, uma avaliação operacional em São Gabriel, na Fronteira Oeste gaúcha, de tropas do Exército que poderão integrar futuras missões internacionais de manutenção da paz coordenadas pela organização. A atividade integra o Sistema de Prontidão de Capacidades de Manutenção da Paz da ONU (UNPCRS).
No Rio Grande do Sul, as atividades são conduzidas nesta quinta pelo 6º Batalhão de Engenharia de Combate e amanhã pelo 9º Regimento de Cavalaria Blindado. Ao todo, cerca de 360 militares participam da certificação no Rio Grande do Sul, compondo uma Companhia de Engenharia de Força de Paz e uma Companhia de Neutralização de Artefatos Explosivos (EOD, na sigla em inglês). De acordo com o Exército, durante a inspeção, os avaliadores acompanharão demonstrações operacionais, oficinas práticas e simulações semelhantes às enfrentadas em áreas de crise.
Entre os exercícios previstos para a Companhia de Engenharia de Força de Paz, estão operações de terraplanagem, drenagem, topografia, britagem e produção de asfalto, além da apresentação de viaturas blindadas, equipamentos militares e estruturas utilizadas em missões internacionais. A companhia também é capacitada para o restabelecimento da trafegabilidade de estradas, produção, transporte e distribuição de água potável, reconhecimento especializado, manutenção da malha viária e trabalhos de construção vertical em proveito das bases da ONU.
A avaliação considera critérios como preparo operacional, organização da tropa, capacidade de resposta, comunicação em idiomas estrangeiros e interação com a população civil. Um dos destaques é o pelotão de engajamento, responsável pelo contato entre os militares e comunidades locais durante operações internacionais. A composição do grupamento também contempla a participação feminina, alinhada às diretrizes das operações de paz da ONU. Já a EOD é responsável por missões de especialização e risco, voltadas à proteção de civis e à segurança operacional em zonas de conflito.
Entre suas atribuições estão a detecção, o acesso, o diagnóstico, a neutralização e o descarte final de munições explosivas, incluindo minas terrestres e bombas, bem como a destruição de munições inseguras. A companhia também presta assessoramento em questões relacionadas a EOD, conduz e apoia operações de busca de rotas e escoltas de comboios, realiza coleta de inteligência tática de armas, investigação de incidentes pós-explosão e avaliação de evidências, além de reforçar outros elementos EOD no enfrentamento a ameaças explosivas.
Além do Estado gaúcho, entre segunda e quarta-feira houve avaliações com tropas de Infantaria no Paraná, nos municípios de de Foz do Iguaçu e Cascavel. Ainda conforme o Exército, a certificação “ocorre em um momento de crescente instabilidade no cenário internacional, marcado por conflitos de alta intensidade, crises humanitárias e desafios à segurança global.”