Começaram nesta semana os trabalhos que o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, classificou como a “operação chinesa”, definida como a obra emergencial de proteção contra cheias na região dos pôlderes 7 e 8, entre os bairros Sarandi e Anchieta, na zona Norte, com potencial de evitar novos alagamentos também no Aeroporto Internacional Salgado Filho. Na manhã desta sexta-feira, ele vistoriou o local, acompanhado do diretor-presidente do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Vicente Perrone, além de representantes dos governos estadual e federal.
Esteve presente também o consórcio vencedor da licitação para execução dos trabalhos, o Eurosinos, formado pelas empresas Eurovia Construtora e Bombas Sinos, que apresentou o menor valor no certame, de R$ 24,2 milhões. Esta primeira etapa tem um custo total estimado de cerca de R$ 50 milhões, com financiamento do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), e de um plano de macrodrenagem maior, orçado em um montante superior a R$ 300 milhões.
A alcunha da obra foi dada, nas palavras das autoridades, devido à rapidez na elaboração e análise do projeto. Contratualmente, a intervenção está prevista para terminar em agosto, mas Melo disse, durante a vistoria, que ela “tem de estar pronta antes do final de julho”, visando os possíveis impactos do fenômeno climático El Niño. Para isso, o começo foi antecipado em cerca de dez dias, pois, pelo planejamento original, iniciariam no começo do próximo mês.
O prefeito Sebastião Melo vistoria o início das obras de proteção contra cheias nos pôlderes 7 e 8, na Zona Norte de Porto Alegre
Segundo o consórcio, há garantias de trabalho todos os dias da semana, à noite e com chuva. Há cerca de mil famílias vivendo na área do Dique do Sarandi e da Vila Dique, metade delas em cada, porém elas não terão urgência de saírem imediatamente, porque os diques internos serão transformados em diques de drenagem. Se isto não fosse feito, o reforço dos internos, que será feito em um segundo momento, teria de ser realizado agora, forçando a saída imediata delas.
“Essa é uma mesa de negociações que nunca se esgota”, disse Melo, sobre a realocação habitacional. Parte dos moradores já aderiu a programas como o Compra Assistida, no entanto houve discordâncias locais que emperraram outras saídas, especialmente quanto aos valores oferecidos pelo governo. Houve casos, por exemplo, de pessoas que consideraram que suas propriedades valiam mais do que o teto subsidiado. “Não há obra sem acolhimento das famílias”, afirmou o prefeito.
A obra trata-se da construção de um dique para fechar o canal que recebe as águas do arroio Passo das Pedras e desemboca no rio Gravataí, em tese impedindo que a água dele retorne para a área do Sarandi, suportando níveis de até 5,50 metros, similar ao das enchentes de 2024, disseram os engenheiros do Dmae. Para lidar com a chuva, serão instalados grupos motobombas flutuantes, com capacidade de bombear 14 mil litros de água por segundo de volta ao rio.
Perrone também garantiu que a obra não deve agravar enchentes em municípios vizinhos, como Gravataí, Alvorada, Canoas e Cachoeirinha, justificando que a alteração afeta uma área de somente 4 quilômetros quadrados, ínfima perante os 2,2 mil quilômetros quadrados de toda a bacia do Gravataí. A obra também tem aprovação do Ministério Público do RS (MPRS) e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).
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