O presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, afirmou nesta sexta-feira, que as enchentes no Rio Grande do Sul devem resultar no maior volume de indenizações já pagas pelo setor no País. Isso inclui não apenas eventos climáticos, mas qualquer tipo de evento. "Brumadinho (o rompimento da barragem da Vale, em 2019) ocorreu em uma região pouco povoada.
Desta vez, atingiu uma área densamente populada, grandes cidades", disse ele, em coletiva de imprensa para comentar as estimativas de impacto para o setor das enchentes no Rio Grande do Sul. Oliveira disse que os efeitos são disseminados, mas que acontecem de forma abrangente nos seguros massificados. "Em grandes riscos, pode haver uma ou outra empresa mais impactada, mas há o sistema de resseguros, que distribui os riscos", afirmou. O executivo reiterou que as empresas estão bem provisionadas.
"Não há risco de nenhuma seguradora enfrentar problemas relacionados a isso", disse ele. O presidente da CNseg também mencionou a proposta de seguro social contra catástrofes, desenhada, entre outros motivos, pelas enchentes que o Estado enfrentou no ano passado.
O seguro teria parcelas de valor baixo, seria cobrado na conta de luz em todo o País e pagaria indenizações de até R$ 15.000 em casos de catástrofes ambientais. "Se já tivéssemos seguro contra catástrofes, as pessoas estariam indenizadas há 15 dias", disse ele.
Estimativas sobre o volume total de sinistros no RS
A CNseg evita fazer estimativas sobre o volume total de sinistros que as enchentes no Rio Grande do Sul devem provocar para o mercado. De acordo com Dyogo Oliveira, muitas perdas só poderão ser mensuradas quando as águas baixarem.
"Nós não estamos fazendo projeções sobre os sinistros porque é impossível e também não é desejável", disse ele. O executivo afirmou que possíveis projeções carecem de base técnica.
Segundo ele, os números de sinistros ainda devem aumentar "exponencialmente", mas os seguros de automóveis e os de grandes riscos provavelmente continuarão sendo os mais impactados.
Até quinta-feira, as seguradoras já receberam R$ 1,673 bilhão em avisos de sinistro.
Oliveira disse que não espera que as enchentes impactem na aceitação de seguros no Rio Grande do Sul nos próximos anos. Após eventos catastróficos que geram grandes perdas, o setor de seguros geralmente adota critérios mais rigorosos para aceitar apólices.