Desde novembro de 2024, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está realizando a primeira etapa da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que visa avaliar as estruturas de consumo, de gastos, de rendimentos e parte da variação patrimonial das famílias brasileiras. A partir desse resultado, é possível oferecer um perfil das condições de vida da população no país a partir da análise dos orçamentos domésticos.
Em coletiva estadual realizada na sede da Superintendência Estadual do IBGE no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, nesta sexta-feira, foi esclarecido como está funcionando a coleta e apresentado um balanço de quantos domicílios já foram contemplados com a pesquisa. A apresentação foi comandada por Luis Eduardo Azevedo Puchalski, gerente substituto da Gerência de Planejamento e Gestão Técnica do IBGE no RS, e por Carolina Rekowsky Lopes, coordenadora Estadual da Pesquisa de Orçamentos Familiares.
A POF é a base da pesquisa de inflação e subsidia vários indicadores nacionais, além de ser uma referência internacional da economia do Brasil, por captar o histórico e o presente de consumo da população. Além de disponibilizar informações sobre a composição dos orçamentos domésticos, a pesquisa também investiga as condições de vida da população, incluindo percepção subjetiva sobre a qualidade de vida, gerando bases de dados de estudos sobre o perfil nutricional da população. Os dados coletados envolvem não só alimentos, mas itens como móveis, eletrodomésticos e veículos. A novidade deste ano é a inclusão de consumo de jogos de apostas.
A pesquisa domiciliar é periódica. Iniciou no biênio 2002-2003 e foi repetida em 2008-2009. Após, somente em 2017-2018, e a previsão é que em 2026 sejam divulgados os resultados do levantamento que será concluído em novembro deste ano.
1º balanço da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF)
Puchalski salienta a importância da periodicidade da pesquisa, já que os padrões de consumo se modificam ao longo do tempo. "Entre 2017 e 2018, nós tivemos o fenômeno da pandemia. Provavelmente, muitos atos de consumo se modificaram a partir da pandemia. Por isso é importante a POC voltar a campo, para avaliar como é o padrão de consumo e o orçamento dessas famílias hoje”, diz Puchalski.
Na última pesquisa, por exemplo, foi evidenciado um aumento do peso de itens relacionados à comunicação, como a aquisição de celular e serviço de internet que aumentaram o consumo do parque população. A partir do ajuste, foi preciso adequar essa cesta de produtos que é investigada, para a produção do índice de inflação. "Esse é um dos objetivos da pesquisa de orçamento familiar: calibrar, de tempos em tempos, o índice de inflação que o IBGE também produz", diz.
Outro destaque da pesquisa também envolve a produção de informações sobre o padrão de consumo nutricional da população. Em 2020, por exemplo, após a última pesquisa, uma notícia publicada na Agência anunciou que os ultraprocessados ganham espaço e somam 18,4% das calorias adquiridas em casa. “Esse tipo de estudo, que se produz a partir dos resultados da pesquisa de orçamentos familiares, vai monitorar o comportamento da população e dar subsídio para elaboração de políticas públicas em construção desse dado”diz Puchalski.
A pesquisa também permitiu investigar o impacto da Bolsa Família e a demanda de rigor de alimentos in natura ou minimamente processados e ultraprocessados, mostrando que famílias que recebem Bolsa Família têm uma condição de consumir mais em alimentos in natura do que famílias na mesma faixa de renda que não são contempladas pelo programa.
Na coletiva, foi ressaltado, também, a segurança das pessoas que recebem a abordagem dos entrevistadores que se dizem do IBGE, para evitar golpes. O entrevistador deve estar com o colete e crachá do IBGE. Por meio de canais, há formas de que a população possa se certificar de que de fato aquela pessoa é ou não um entrevistador. No próprio colete, que apresenta o logotipo do IBGE, o número 0800 721 8181, que o cidadão poderá ligar e dar o nome da pessoa que está se apresentando. Outro canal por meio do site, respondendo.bge.gov.br, para solicitar informações.
Como funciona a pesquisa
A pesquisa tem a duração de 1 ano. Começou em 19 de novembro do ano passado, e terminará em novembro de 2025. Amostral, a pesquisa abrange 2 mil municípios e mais de 7 mil setores censitários. O setor censitário abrange uma porção do território onde licenciadores trabalham nos censos.
No Rio Grande do Sul, a pesquisa abrange 165 dos 497 municípios. São 398 setores censitários e 5.324 domicílios selecionados. Neste mês, a pesquisa alcança o segundo trimestre. Até então, em setores rurais, foram visitados 565 dos 1428 domicílios pretendidos, ou seja 39,6% do total. Já em setores urbanos, dos 3.892 domicílios previstos, já foram 1.300, ou seja, 33,4% do total.
A pesquisa também é contínua, ou seja, o entrevistador do IBGE necessariamente vai acompanhar a família por alguns dias. A coleta será feita por duas maneiras: um primeiro questionário de perguntas e respostas feito durante nove dias, e por meio de formulário, que será preenchido durante sete dias, com informações sobre o consumo da família, em uma caderneta de aquisição coletiva, onde deve registrar tudo o que os moradores do núcleo familiar estão consumindo durante aquela semana.