Cidades

“Podas drásticas” da CEEE Equatorial aceleram risco de queda e morte de árvores em Porto Alegre, dizem moradores

Concessionária afirmou trabalhar “em parceria com os órgãos competentes” e sob diretrizes da Fepam

Daniel Meyer, biólogo, diz que prática descumpre leis ambientais
Daniel Meyer, biólogo, diz que prática descumpre leis ambientais Foto : Fabiano do Amaral

Um “arboricídio” está acontecendo em Porto Alegre, nas áreas dos bairros Rio Branco e Petrópolis, de acordo com moradores locais, que responsabilizam “podas drásticas” realizadas recentemente pela CEEE Equatorial pelo problema. Em nota, a concessionária informou que podas preventivas “são de responsabilidade das prefeituras”, e que “atua de forma direta apenas em situações de emergência”, trabalhando “em parceria com os órgãos competentes e executa suas atividades em conformidade com as diretrizes estabelecidas na licença de manejo vegetal concedida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam)”.

Os moradores e entidades ambientais criaram um abaixo-assinado virtual, pedindo, quando for o caso de podas, a presença de um responsável técnico, como um biólogo, engenheiro agrônomo ou engenheiro florestal, nestes serviços junto aos operadores de campo. Nesta segunda-feira, ele contava com pouco mais de 300 assinaturas.

Na semana passada, diz o documento, a ausência de ao menos um destes profissionais em uma série de podas realizadas pela concessionária na rua Coronel Corte Real, entre a quadra das ruas Doutor João Dutra e Felipe de Oliveira, no Petrópolis, causou galhos soltos na fiação e uma “decapitação” das copas das árvores, disse o biólogo Daniel Meyer, que vive no bairro.

Segundo ele, a prática inadequada descumpre leis ambientais, como a Lei Complementar Municipal nº 757/2015, que exige a presença técnica. “Eles (CEEE Equatorial) depenaram a árvore. Não há estratégia aqui. Imagina se isto cai em cima de uma pessoa?”, questionou Meyer, comentando que isto tem ocorrido ao menos desde a privatização do serviço de energia, mas de forma mais acentuada, desde fevereiro deste ano.

Em poucos meses, comentou o biólogo, o mesmo grupo de árvores sofreu “podas agressivas” três vezes consecutivas. Ele disse ainda estar preocupado com a remoção das copas das árvores, que pode acelerar o volume de água em direção às áreas mais baixas, agravando severamente os riscos de enchentes e enxurradas na Capital, e que as partes removidas “não representavam riscos para a fiação elétrica acima”.

“Podas drásticas, além de criar assimetrias na árvore, acelerando o risco de queda, criam portas de entradas para fungos, fazendo com que ela adoeça”, salientou Meyer. “Muitas pessoas ficam ansiosas de fato. Quando estaciona um caminhão da CEEE Equatorial, há um pânico, e eu fico muito ansioso, já fico sabendo o que vai acontecer. É angustiante”, acrescentou ele.

Prefeitura de Porto Alegre e CEEE Equatorial executam podas de árvores próximas da rede de energia | Foto: Alina Souza

O biólogo disse não descartar ir ao Ministério Público do RS (MPRS), mas, por ora, instalou placas junto aos galhos neste ponto do Petrópolis informando de supostos descumprimentos da legislação. Em outros locais de Porto Alegre também há relatos similares, como no bairro Rio Branco, nas ruas Miguel Tostes, próximo da Vasco da Gama, e Álvaro Alvim. Também na nota, a CEEE Equatorial disse que, sobre o caso da Corte Real, “será enviada uma equipe para verificar se há necessidade de alguma intervenção e, se for o caso, será feita a correção”.

Confira a nota da CEEE Equatorial

Nota de posicionamento

A CEEE Equatorial informa que a realização de podas preventivas e o manejo da vegetação em áreas públicas são de responsabilidade das prefeituras. Em terrenos particulares, a manutenção da vegetação deve ser realizada pelos proprietários.

A distribuidora esclarece que atua de forma direta apenas em situações de emergência, quando a vegetação provoca interrupção no fornecimento de energia ou risco elétrico, e em ações de manutenção preventiva onde há conflito de vegetação com a rede de distribuição, visando evitar ocorrências que causem interrupção no fornecimento de energia elétrica.

Sobre os trabalhos realizados na Rua Coronel Corte Real, em Porto Alegre, será enviada uma equipe para verificar se há necessidade de alguma intervenção e, se for o caso, será feita a correção.

A CEEE Equatorial reforça que trabalha em parceria com os órgãos competentes e executa suas atividades em conformidade com as diretrizes estabelecidas na licença de manejo vegetal concedida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

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