Quem passeia pela rua dos Andradas, no trecho entre a orla e a Praça da Alfândega, se deslumbra com uma grande quantidade de árvores, edifícios icônicos e ainda respira a história por toda parte, por meio de museus, casarões e espaços culturais. Mas a antiga rua da Praia, a mais antiga e provavelmente uma das mais charmosas de Porto Alegre, também tem sido local de vendedores ambulantes em suas calçadas, que aproveitam o alto fluxo de pedestres para oferecer itens diversos, muitas vezes sem autorização pública para tal.
Para o jornalista e escritor Rafael Guimaraens, que registrou em diversas obras a história da rua da Praia, há uma deterioração do espaço, caminhando junto com um processo definido por ele como um esvaziamento do Centro Histórico, como espaço de cultura, convivência e civilidade. “Hoje a movimentação da Rua da Praia se limita a quem trabalha no entorno, passos nervosos e apressados. Em seu leito, os poucos prédios que desenhavam a fisionomia da cidade em outros tempos estão tapados por banners comerciais de cores estridentes e gostos duvidosos que ofuscam suas fachadas”, relatou ele.
“À noite, reina o vazio e a insegurança. O piso, que oferecia um resíduo de sua memória, foi trocado por lajotas insossas e mal assentadas dão o tiro de misericórdia na rua aberta pelos açorianos para construir sua vila”, acrescento. Para Guimaraens, a Casa de Cultura Mario Quintana e a Feira do Livro oferecem um suspiro de cultura à rua histórica. “É pouco para um espaço que mobilizou corações e mentes da cidade por décadas. Mas ainda bem que temos”, comentou o escritor e jornalista.
A prefeitura disse em nota ter iniciado no Centro Histórico a operação Comércio Só Legal, iniciativa da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Eventos (SMDETE), reunindo ações de orientação, regularização e fiscalização, para ordenar o comércio ambulante e combater a venda de produtos sem procedência. Na primeira etapa, estabelecimentos regularizados começaram a receber um selo de identificação, que informa à população que o comércio está em conformidade com as normas municipais.
Durante a ação, as equipes também distribuem material informativo sobre o programa e orientam os trabalhadores sobre os caminhos para regularização. “O Comércio Só Legal valoriza quem escolhe empreender de forma regular, abre caminhos para que mais trabalhadores possam atuar dentro da lei e protege a população ao combater práticas irregulares e a venda de produtos sem procedência”, disse o secretário adjunto da SMDETE, Filipe Tisbierek.