Por conta de metodologias adotadas, são observadas diferenças consideráveis entre os alertas de calor emitidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Defesa Civil do Rio Grande do Sul nos últimos dias. Enquanto órgão oficial de previsão do tempo do governo brasileiro emitiu um “alerta vermelho” (de grande perigo), o sistema de proteção gaúcho classificou o mesmo período de temperaturas elevadas como “atenção” (segundo menor nível de alerta).
A categorização adotada pela Defesa Civil foi inclusive parte das justificativas apresentadas pela Secretaria da Educação em posicionamento contrário ao pedido do CPERS Sindicato pelo adiamento do início do ano letivo na rede pública estadual. Tal pedido foi negado e motivou a decisão liminar da Justiça que levou em conta os riscos das temperaturas extremas durante esta semana e suspendeu a volta às aulas.
No aviso divulgado na sexta-feira, 7, o status “atenção” (representado pela cor amarela) foi validado para a maior parte das cidades gaúchas. A Costa foi apontada como “normal” (de cor verde), a classificação de risco mais baixa.
Enquanto isso, o Inmet, apontou “alerta vermelho” para quase todas as regiões do RS. A Costa gaúcha foi colocada em “alerta laranja”, o segundo com maior de severidade na escala nacional.
Diante de questionamentos gerados a partir de avisos tão distintos entre os sistemas nacional e local, a Defesa Civil do RS explicou a metodologia empregada em seus alertas. No Aviso divulgado na sexta-feira, 7, o status de “atenção” (amarelo), foi empregado “uma vez que havia previsão de temperaturas acima da média por no mínimo cinco dias consecutivos, com potencial risco à população”. As publicações são baseadas em informações da Sala da Situação da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema).
Ainda de acordo com o órgão estadual, o status de “alerta” (que tem cor laranja), seria empregado caso o período de temperaturas altas previsto contemplasse o mínimo de sete dias consecutivos. Já o status “severo” (vermelho) vigoraria caso as projeções indicassem, ao menos, nove dias consecutivos de calor acima da média. A mesma graduação de cores é usada para o caso de ondas de frio.
Por fim, a entidade gaúcha afirma que a comparação direta entre os sistemas de alerta é “inadequada”, conforme nota enviada ao Correio do Povo.
Leia a íntegra:
“Para a divulgação dos Avisos de ondas de calor ou, de frio, a Defesa Civil Estadual utiliza como metodologia o tempo no qual as temperaturas máximas ou mínimas permanecerão muito acima ou muito abaixo da média, respectivamente. Ou seja, as legendas dos mapas divulgados não levam em consideração as temperaturas previstas em si, mas o período no qual elas estarão mais extremas do que de costume.
No Aviso divulgado pela Defesa Civil na última sexta-feira (7), foi emitido o status de ATENÇÃO (amarelo), uma vez que havia previsão de temperaturas acima da média por no mínimo cinco dias consecutivos, com potencial risco à população. A alteração do status de ATENÇÃO para ALERTA (laranja), requer um período mínimo de sete dias consecutivos de temperaturas altas, enquanto o status SEVERO (vermelho) pelo menos, nove dias consecutivos de temperaturas acima da média (ou abaixo da média tratando-se de ondas de frio).
Esclarecemos que os demais órgãos oficiais emitem seus avisos meteorológicos utilizando metodologias distintas, razão pela qual a comparação direta entre os mapas divulgados é inadequada. Contudo, seja qual for a metodologia utilizada, os Avisos devem descrever a informação completa, para melhor compreensão da população, conforme o Aviso 284 emitido pela Defesa Civil Estadual.
A Defesa Civil do Estado mantém seu compromisso com a população, garantindo celeridade e responsabilidade na emissão de alertas, sempre com base em critérios técnicos sólidos.”