A presença dos cães comunitários Pipoca e Pirulito no Campus do Vale da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) gerou um impasse entre a instituição e a comunidade acadêmica. Os cães, que foram abandonados no local há cerca de dois anos, recebem cuidados dos alunos e da ONG Patas Dadas, sendo castrados, vacinados e vermifugados regularmente. Eles são considerados cães comunitários, situação reconhecida pela legislação estadual.
Conforme a ONG, nos últimos meses, reclamações envolvendo a permanência dos cães teriam partido de um professor do Centro de Biotecnologia (Cbiot), que teria relatado problemas de segurança, afirmando que os animais representariam um “risco à comunidade acadêmica”. Em resposta, a direção do Cbiot encaminhou um pedido de providências à Procuradoria da Ufrgs, relatando supostos incidentes e quase acidentes relacionados aos cães.
A ONG e um grupo de apoiadores dos animais reagiram ao pedido, enviando à procuradoria declarações assinadas por estudantes, técnicos e professores, atestando o comportamento tranquilo de Pipoca e Pirulito. A ONG também forneceu carteiras de vacinação e laudos de uma médica veterinária, afirmando que os cães não são agressivos e não representam risco.
A Procuradoria da Ufrgs, no entanto, teria acatado o pedido do Cbiot, autorizando a remoção dos cães do campus. Questionada sobre a situação, a instituição informou que “os dois cães foram adotados conjuntamente para um sítio de uma família para onde serão levados no próximo sábado, dia 9, com a supervisão do grupo de apoio ao referido sítio”.
A ONG Patas Dadas contestou essa versão e informou que houve, sim, interesse em adotar Pipoca e Pirulito, mas o interessado acabou desistindo após o primeiro contato, ao se recusar a assinar o termo de adoção necessário para formalizar o processo. “Então seguimos na mesma situação, eles não estão adotados e estamos procurando urgentemente uma adoção para eles, antes que sejam removidos daqui”, disse o coordenador da ONG, Bruno Giozza.
Pipoca e Pirulito permanecem sob os cuidados de voluntários no Campus do Vale enquanto a situação não se define. Em resposta à polêmica, apoiadores dos cães pedem que o processo seja revisto e que os cães possam continuar convivendo com a comunidade acadêmica, pelo menos até que uma adoção definitiva seja confirmada.