A prefeitura de Estrela, no Vale do Taquari, trabalha com a perspectiva de que o nível do rio Taquari possa ter seu pico nos 26 metros. A cota de inundação, de 19 metros, foi atingida por volta de 20h desta segunda-feira. De acordo com a medição mais recente, divulgada às 4h30min desta terça-feira pelo Serviço Geológico do Brasil, o nível do rio está em 23,46 metros, um aumento de 32 centímetros na última hora. Ele tem subido com menos intensidade do que nas horas anteriores.
A prefeita do município, Carine Schwingel, detalhou as ações adotadas nas áreas de risco e como está o planejamento para as próximas horas. Ela detalha que a maior preocupação ocorreu na tarde de segunda, quando uma barragem registrava alta vazão, semelhante à da enchente de 2023.
"A gente fez reuniões coma Defesa Civil e com Serviço Geológico Brasileiro e com os prefeitos da região do Vale do Taquari. Fizemos uma análise, e o que estava acontecendo na barragem até então era uma variável. Para a gente fazer a perspectiva de até onde o rio vai chegar, são diversas outras variáveis", detalha.
Carine acrescenta que, com as previsões, muitas famílias também estavam mais seguras do que nas últimas enchentes. "A gente conseguiu trazer um pouco mais de cautela nessas informações", diz.
Aqueles que moram até a cota 25 foram retirados previamente de suas casas, e as pessoas que estão localizadas na cota 25,5 estão sendo previamente avisadas para, se necessário, haver uma eventual retirada. "Acompanhando o movimento do rio, a gente está de hora em hora e percebendo a diminuição na elevação. Isso nos dá segurança, e as próximas horas são de cautela, retirando na medida do possível".
Até às 4h30min, 15 famílias e 42 pessoas haviam sido acolhidas no abrigo localizado na Paróquia São Cristóvão, no bairro Boa União. Entre os bairros atingidos, estão Oriental, Imigrante, Centro, Cristo Rei, Arroio do Ouro e Auxiliadora. Equipes da Defesa Civil estão auxiliando no mapeamento e na retirada das famílias, com deslocamento até o abrigo. Uma dessas pessoas foi Dario Daniel Ojeda, de 39 anos. Natural da Argentina, ele lembra que também passou pelo episódio lá quando era pequeno. Em Estrela, mora há dois anos.
O vice-prefeito do município, Márcio Mallmann, detalha que o acolhimento das famílias começou às 23h. "A previsão é de, mais ou menos, 20 famílias acolhidas. Estamos criando uma certa prática, porque já foram 2 enchentes em julho, e agora essa", recorda. "Claro que, agora, não temos mais tantas famílias nesses locais, porque na enchente de 2024 perdemos 1500 casas nas zonas de arraste."