Com a proximidade do verão, que chega junto com muito calor, altas temperaturas e sensação de abafamento, o prefeito de Montenegro, Gustavo Zanatta, já se mostra preocupado com o problema da estiagem e com um possível desabastecimento de água em algumas localidades, tendo em vista que a rede de distribuição do município é muito antiga, e que rompimentos e vazamentos são episódios lamentavelmente comuns nesta época do ano. Assim, o prefeito encaminhou um ofício à Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) questionando e cobrando intervenções pontuais.
De acordo com levantamento feito pela Administração, a última estiagem que atingiu Montenegro foi registrada entre dezembro de 2022 e fevereiro de 2023, quando o índice de precipitações ficou em cerca de 30% dos 240 milímetros da média histórica. Como resultado, de acordo com Zanatta, houve perdas na agricultura, sobretudo em culturas como melancias, milho, feijão e hortaliças. A seca também comprometeu a produção de citros.
Laranjas, bergamotas e limões amadureceram mais tarde, com tamanhos menores e o sabor menos doce, o que causou reduções no valor pago aos agricultores. “Nas propriedades rurais, os açudes secaram, exigindo da Prefeitura a abertura de pelo menos 40 novos reservatórios. O problema foi maior nas localidades de Fortaleza, Bom Jardim, Faxinal e Costa da Serra.” Em torno de 50 famílias da zona rural foram atendidas com caminhões pipa. Na zona urbana, o impacto foi menor, de acordo com o prefeito. Não chegou a haver racionamento de água, embora o Rio Caí tenha tido seu nível reduzido apenas 1 metro.
Diferentemente dos verões anteriores, o que tem causado bastante inquietação em Zanatta é que 2025 estará sob o domínio do fenômeno La Niña que, de acordo com os institutos de meteorologia, a principal consequência é a redução sensível no volume de chuvas sobre o continente. Diante disso, volta a crescer a preocupação com o desabastecimento da população. "Não queremos que falte água na casa dos montenegrinos", afirma ele.
Em nota, a Corsan informou que está investindo em tecnologias que qualificam e fortalecem as operações de abastecimento. Uma das iniciativas é o estudo de modelagem hidráulica, uma ferramenta tecnológica utilizada para simular o comportamento das diversas etapas dos sistemas de distribuição de água. Com isso, é possível verificar as medidas que devem ser tomadas para soluções de problemas. Esse recurso será usado nas áreas do município atendidas pela Companhia.
A Companhia destaca ainda que já investiu cerca de R$ 2,1 milhões na substituição de redes da rua Apolinário de Morais, em Montenegro. Nessa via, passam as principais tubulações que abastecem as zonas baixa, média e alta do município. Com a troca das redes antigas, de fibrocimento, por tubos de PVC, que é um material mais durável e de maior resistência à pressão, os riscos de rompimentos e vazamentos são muito menores. Isso evita desabastecimentos e gastos com consertos de redes.
Além disso, a Corsan vem investindo na instalação de válvulas redutoras de pressão nos encanamentos e nos chamados macromedidores, que são equipamentos que mostram o volume de água que sai do sistema de distribuição e o volume que chega aos imóveis. Desta forma, é possível identificar possíveis perdas nesse caminho e as causas, que podem ser, por exemplo, vazamentos não aparentes, que não extravasam para o solo.
A Companhia esclarece ainda que faz inspeções regulares nas canalizações, em busca de vazamentos, com o uso de geofone – aparelho que detecta escoamentos de líquido subterrâneos e indica os locais onde eles estão por meio de sinais sonoros.