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Recuperação gradual: empresas do Centro Histórico seguem em obras para retomar atividades

Apesar do alto investimento e demora na reabertura, comerciante mantém expectativa positiva com a volta do movimento na região Central da Capital

Desde maio, o restaurante Piato Mio, no Centro Histórico, está fechado; após enchente, proprietário aguarda reforma para reabrir as portas
Desde maio, o restaurante Piato Mio, no Centro Histórico, está fechado; após enchente, proprietário aguarda reforma para reabrir as portas Foto : Ricardo Giusti

Percorrer o Centro Histórico, passados três meses da enchente ainda é um desafio. Geradores, entulhos e obras ainda são personagens presentes no cotidiano de quem circula pela Capital desde que a água baixou, no final de maio. E muitas destas obras significam a tentativa de empresas para retornarem as suas atividades depois da catástrofe. A tarefa é árdua, pois envolve investimento alto e tempo de espera para que a reforma fique pronta.

Desde o final da cheia, esta é a rotina de Márcio Debenetti, sócio do restaurante Piato Mio, localizado na rua Sete de Setembro, próximo ao Centro Administrativo da Prefeitura de Porto Alegre. Com atuação há 26 anos na região Central da Capital, o restaurante tem passado por uma reformulação completa, em função dos prejuízos causados pela enchente.

“A gente teve um custo muito alto, seja com as compras a prazo como também a reforma. Ao todo, é um prejuízo enorme. A gente perdeu mesa, cadeira, piso, buffet, caixa, fogão, forno e outros aparelhos elétricos. Então, na prática, vamos começar do zero. Ficou o esqueleto, a estrutura do imóvel, e estamos refazendo o restante. O buffet, por exemplo, vai ser em alvenaria, pois se vier uma nova cheia, não perderemos 100% do restaurante de novo”, contou.

Novo buffet, em alvenaria, é um dos itens do restaurante que está sendo construído após danos na estrutura anterior | Foto: Ricardo Giusti

A demora para a retomar, segundo o empresário, teve como principal motivo a dificuldade de acesso a crédito para empresas atingidas pela cheia, através do Pronampe. Entretanto, Debenetti conta que, assim como outros restaurantes da região que também foram atingidos pela cheia, aguarda o retorno das atividades presenciais dos órgãos públicos para finalizar a obra, tendo em vista que considerável parte da cliente atua nestas instituições.

“Acho que vamos reabrir o restaurante no início de setembro. Mas, por conta da dificuldade de acessar o crédito, tivemos que, infelizmente, rescindir com 15 funcionários. Quanto voltamos, vamos esperar o tempo necessário e chamar eles de volta, pois são pessoas que a gente confia e que gostam de trabalhar aqui. O investimento para voltar é alto, mas se eu não confiasse nessa região e que ela me trará retorno, nem tentaria reabrir aqui no Centro Histórico”, completou.

A realidade vivida pelo empresário, de ter sua fonte de renda ainda sem gerar lucros, é a mesma de outros proprietários de bares e restaurantes nas cidades atingidas pela enchente. Conforme uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, seccional do Rio Grande do Sul (Abrasel-RS), 55% das empresas entrevistadas operaram sem lucro em junho.

Para a presidente da entidade no RS, Maria Fernanda Tartoni, é importante uma participação ativa de todos para que os auxílios prometidos nos âmbitos estadual e federal sejam cumpridos. “O setor de alimentação fora do lar no RS ainda enfrenta desafios significativos após as enchentes que atingiram o estado esse ano”, concluiu a presidente.

Além disso, o Boletim Econômico-Tributário da Receita Estadal aponta que 3.159 estabelecimentos que foram impactados seguem com nível de atividade considerado baixo. Ou seja, são mais de 3 mil empresas gaúchas com volume de vendas inferior a 30% da média normal registrada antes das enchentes.