A forte chuva que atingiu o Rio Grande do Sul nesta segunda-feira provocou a elevação do Rio Caí. Em São Sebastião do Caí, as águas chegaram a 11 metros e 30 centímetros na medição das 17h, e a prefeitura local projeta que o nível alcance 14 metros até esta terça-feira.
Em razão da subida, famílias ribeirinhas precisaram deixar suas residências durante a tarde. Veículos da prefeitura auxiliaram no transporte das pessoas e na remoção de seus pertences até o abrigo municipal montado no Parque Centenário. Por volta das 17h, o local já acolhia 12 pessoas de 7 famílias, e a expectativa é que mais moradores continuem chegando durante a noite e ao longo da terça-feira.
Moradora da rua Cristiano Sameer, Jéssica Becker, de 28 anos, deixou o imóvel na tarde desta segunda para buscar abrigo na casa da mãe, em uma área do município livre de alagamentos. Acompanhada da filha Júlia, de 6 anos, ela juntou o que pôde e ergueu os demais móveis no segundo andar.
"Eu tirei mais o básico. Que nem sofá, cama, essas coisas eu tudo ergui. Porque daí não tenho onde colocar, a casa deles é pequena. Mas eu tirei cobertor, tirei comida, algumas talheres... Coisas assim", conta Jéssica. Ela relata que o rio subiu rápido durante a tarde, forçando a saída imediata.
O transtorno não é inédito: somente este ano, Jéssica precisou deixar a residência pelo menos cinco vezes. "Agora eu tô com medo de pegar no segundo piso. Porque a gente começa as coisas, devagarinho, comprando as coisas, daqui a pouco...", desabafa.
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Na rua Aquidaban, Rosane dos Santos, de 52 anos, também se preparava para sair após a subida das águas, iniciada ainda pela manhã. A dona de casa reside com pelo menos sete pessoas, incluindo a nora, que está grávida, e já perdeu as contas de quantas vezes precisou desocupar o imóvel neste ano. A família segue para o abrigo no Parque Centenário. "A prefeitura ajuda a gente, mas é muito triste isso", relata.
Já acolhida no Parque Centenário, Raquel Horn chegou ao local com os três filhos pequenos. Na terceira vez em que deixa a casa em 2026 devido às inundações, ela conseguiu transportar a máquina de lavar, a geladeira e roupas. "É triste, ver as crianças passando trabalho, é bem ruim", afirma. Desempregada, Raquel relembra que nas ocasiões anteriores ficou três dias fora de casa, mas desta vez ainda não sabe quanto tempo precisará permanecer no abrigo.
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Inundação em cidades da região
Desde o início da tarde desta segunda-feira, outras cidades do Vale do Caí também registram inundação do rio. Em Vale Real, medição feita às 15h aponta que o nível estava em 10,6 metros no Centro da cidade, 10 centímetros acima da cota de inundação.
Por volta do mesmo horário, a cidade de Feliz também registrou que o rio Caí superou a cota de cheia, medindo 9,04 metros. No local, a inundação ocorre quando o rio supera a marca dos 9 metros.
Já em Bom Princípio, a medição realizada por volta das 14h30min apontava que o rio Caí estava em 13,3 metros, acima dos 12 metros da cota de inundação. Entretanto, o rio costeia a cidade, sem passar diretamente pela área urbana.
O leito de água que passa mais próximo do Centro é o arroio Forromeco. No mesmo horário, ele estava em 7 metros, dentro da cota de normalidade. Mesmo assim, algumas ruas e estradas vicinais de Bom Princípio já apresentavam pontos de alagamento.
A tendência é de que o rio Caí siga em elevação, principalmente nas cidades subsequentes do Vale do Caí, como Montenegro. Apesar de ainda estar em cota de alerta, o prefeito Gustavo Zanatta salientou que o rio deverá superar a cota de inundação em Montenegro nas próximas horas, entre o final da tarde e início da noite desta segunda.
De acordo com a MetSul Meteorologia, segue o alerta para enchentes nas próximas horas para o Vale do Caí. Isso ocorre em função da continuidade da chuva na Serra Gaúcha e a previsão de manutenção da precipitação nesta região no restante da segunda e na terça-feira, o que pode agravar a onda de vazão em direção ao vale.