O município de São Jerônimo, na região Carbonífera, está na manhã desta sexta-feira em relativa estabilidade no nível do rio Jacuí, com a marca no chamado Porto do Bote, na área central, alcançando 6,56 metros, ainda mais de dois metros acima da cota de inundação, que é de 4,54 metros. A balsa que leva ao município de Triunfo segue interrompida. O sol apareceu e o tempo firmou, com muitas nuvens na cidade.
Até o momento, há 27 pessoas desalojadas e dois desabrigados, encaminhados ao abrigo municipal, que tem capacidade para 80 pessoas. Os bairros mais críticos são a Cidade Baixa, especialmente a Vila dos Pescadores), São Francisco, Princesa Isabel e Passo da Cruz. Diversas casas estão debaixo d’água, com barcos navegando onde antes passavam pessoas a pé e veículos.
Segundo o prefeito Julião Prates Cunha, o número de afetados pela cheia atual, que é similar às demais que o município já enfrentou, foi reduzido em parte graças ao programa de compra assistida do governo federal, que entregou mais de 200 casas aos moradores e permitiu retirar mais pessoas da zona ribeirinha. “Hoje em dia, qualquer volume de chuva já nos preocupa”, disse ele.
Ele afirmou ainda haver preocupação com notícias falsas a respeito do alagamento, e apelou à necessidade do desassoreamento do Jacuí. “150, 200 milímetros (de chuva) já nos deixa mal. É preciso fazer com que haja de imediato o desassoreamento. E sabe o que os areeiros possam retirar areia. O rio está lá em cima por causa da areia. Esse é o problema”, acrescentou.
A coordenadora da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Civil, Luize Pas, afirmou que muitos moradores próximos ao rio costumam sair por conta própria, enquanto outros resistem porque suas casas já são preparadas com segundo piso ou palafitas. Um deles foi o aposentado Darci Ajardo, que vive há sete anos em uma casa alta na beira do rio, junto com a cachorrinha Neguinha.
O município de São Jerônimo, na região Carbonífera, está na manhã desta sexta-feira em relativa estabilidade no nível do rio Jacuí, com a marca no chamado Porto do Bote, na área central, alcançando 6,56 metros, ainda mais de dois metros acima da cota de inundação, que é de 4,54… pic.twitter.com/UYTAezblDZ
— Correio do Povo (@correio_dopovo) July 24, 2026
A água subiu até a um metro no local, deixando somente um pedaço da cerca da residência à mostra, e ali, para chegar por enquanto, somente de caiaque. “Minha bananeira e as outras plantas caíram, mas estou bem, com água e luz. Já fui para um abrigo e não consegui ficar, então morei na rua um tempo. Até furtaram meu telefone. O pessoal não tem respeito com os idosos”, contou o morador.
O proprietário do pequeno barco é o pescador Eliezer Machado da Silva, que vive em uma parte alta do bairro São Francisco, onde a água não chega. Nesta manhã, ele preparava iscas para uma pescaria onde, geralmente, a balsa para, no final da avenida Flores da Cunha, e onde agora o trânsito está interrompido com placas. “Essa cheia até não me afeta diretamente, e lá onde vivo não pega água, mas a gente acaba se ajudando bastante aqui”, comentou Silva, cuja família também atua na pescaria no local.
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