Cidades

Seminário apresenta propostas para reforçar proteção contra as enchentes em cidades gaúchas

A escolha por Canoas para sediar o seminário é uma manifestação de solidariedade ao município gaúcho que teve mais de 150 mil pessoas atingidas pela inundação

Um documento com cerca de 100 páginas com as propostas apresentadas pelos prefeitos e técnicos foi entregue ao Governador Eduardo Leite
Um documento com cerca de 100 páginas com as propostas apresentadas pelos prefeitos e técnicos foi entregue ao Governador Eduardo Leite Foto : Alisson Moura / Prefeitura de Canoas / CP

Aconteceu nesta segunda-feira, no campus da Ulbra, em Canoas, o seminário "Desafio da Região Metropolitana: O que fazer após a maior enchente da história do Rio Grande do Sul." Durante o evento, lideranças políticas, de instituições e órgãos técnicos apresentaram em detalhes os projetos considerados prioritários para reforçar o sistema de proteção contra enchentes nas principais cidades gaúchas atingidas pela inundação de maio. A abertura do evento contou com a participação do governador Eduardo Leite e do Secretário Executivo do Ministério Extraordinário da Reconstrução do RS, Maneco Hassem, que esteve no evento representando o ministro Paulo Pimenta.

Após, os prefeitos de Porto Alegre, Sebastião Melo; de Canoas, Jairo Jorge; de São Leopoldo, Ary Vanazzi; de Gravataí, Luiz Zaffalon, e a prefeita de Novo Hamburgo, Fatima Daudt, detalharam as ações contra enchentes que consideram mais urgentes. A escolha por Canoas para sediar o seminário é uma manifestação regional de solidariedade ao município gaúcho que teve mais de 150 mil pessoas diretamente atingidas pela enchente. E a escolha da Ulbra é um reconhecimento à instituição que, no momento mais agudo da crise, abrigou cerca de 8 mil pessoas no interior do campus.

Representando o governo federal, Maneco Hassem, falou da importância do evento que reúne lideranças fundamentais para a discussão de preparação do Estado para o futuro. "O trabalho que o Ministério tem feito aqui, de forma transparente e coletiva, é um enorme desafio para superar essa tragédia. O volume de ações executadas somente pelo governo federal foi imprescindível, "Foram 84 mil pessoas resgatadas, além de 15 mil animais. Deslocamos 130 aeronaves no pico dos salvamentos, 5,2 mil veículos e 850 embarcações. Passada a fase do restabelecimento, agora entramos na fase de reconstrução. Dentre as políticas que o governo vem executando, 274 mil famílias já receberam o benefício do pix de R$ 5,1 mil e outras 100 mil ainda devem receber."

Hassem falou sobre o apoio às empresas, a manutenção dos empregos, a questão da moradia e da liberação de recursos. "O governo federal tem dialogado muito com os municípios e o governo do Estado para alinhar as ações necessárias para reconstruir as cidades da região. Entretanto, outro ponto muito importante para evitar que tragédias como estas é ter um olhar diferenciado para a sustentabilidade e o meio ambiente."

O governador Eduardo Leite iniciou seu discurso apontando que até então o Estado não tinha nenhuma política de governo para este tipo de assistência ou emergência. "Já foram liberados mais de R$ 200 milhões contemplando as famílias atingidas com o programa Volta por Cima. " Entendemos que se é um momento de emergência e de calamidade, precisamos colocar o dinheiro na frente da burocracia. Repassamos mais de R$ 300 milhões do Fundo da Defesa Civil para os municípios."

O governador disse que vai buscar aprovação junto à União dos quatro projetos que estão relacionados com o sistema de proteção das cidades, banhadas pelos rios Sinos, Jacuí, Caí e Gravataí. Dois destes já tem estudo de impacto ambiental aprovados. "Um programa que devemos anunciar na próxima semana é sobre o desassoreamento de rios, com estudos urbanísticos e soluções estruturais." Outro assunto que deve ser debatido, segundo ele, é sobre o desenvolvimento da sociedade para as localidades seguras, apontando espaços perto dos como áreas de uso restrito. Eduardo Leite disse ainda que os estudos dos projetos já consolidados devem ser reavaliados diante do novo cenário que o clima tem se apresentado. "Existem decisões que precisam ser debatidas em sociedade e para fazer escolhas mais assertivas é importante um alinhamento de todos."

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, foi o primeiro gestor a explanar sobre as ações para mitigar os efeitos da inundação. Não apenas ele, mas o debate em torno do reforço do sistema de proteção de cheias foi inânime entre os gestores. "Bacias de contenção, desassoreamento de rios, reforço de diques. Precisamos de projetos e de dinheiro, mas antes precisamos recompor aquilo que foi destruído." O prefeito de Canoas, Jairo Jorge, da mesma forma, apresentou números e também projetos encabeçados pelo Município para proteger a cidade das mudanças climáticas severas.

"Foram 148.750 pessoas atingidas e 70 mil domicílios inundados, além de 21 mil empresas afetadas. Traçamos sete desafios. Entre eles, a assistência da população por meio de programas municipais, recuperação da infraestrutura da cidade, além de moradias para as famílias que perderam tudo. Para isso precisaremos de R$ 880 milhões, só na área da habitação." Jairo falou o projeto de fortalecimento do sistema de diques, construção de novos dois nos bairros Mato Grande e São Luis e da modernização da casa de bombas. "O conjunto de obras e investimentos representa um investimento de 1,4 bilhão."

O prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi, apresentou aos participantes que a cidade tem 20 km de diques. Segundo ele, foram 34 mil casas alagadas e muitos equipamentos públicos danificados pela água, como escolas e postos de saúde. Já a prefeita de Novo Hamburgo, Fátima Daudth disse que 32 mil pessoas foram impactadas pela tragédia climática. "Tivemos que resolver problemas nunca vistos e tomar decisões difíceis, de forma muito rápida, como determinar a evacuação dos moradores do bairro santo Afonso, onde realizamos uma grande operação para a retirada de 18 mil pessoas de áreas consideradas de risco."

Durante o seminário, representantes dos governos estadual e federal receberam um documento com cerca de 100 páginas com as propostas apresentadas pelos prefeitos e técnicos. Batizado de “Pacto contra enchentes na Grande Porto Alegre”, o documento é uma contribuição regional para adoção urgente de medidas que aumentem a proteção da área metropolitana e orientem políticas públicas futuras. O seminário foi realizado pelo Grupo Sinos, com apoio da Caixa Econômica Federal, BRDE, Corsan e Assembleia Legislativa, Ulbra e da Federação das Indústrias do RS (Fiergs).