A edição desta semana do tradicional Tá Na Mesa, promovido pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), debateu a retomada e o futuro da aviação no RS após a catástrofe climática que o Estado viveu em 2024. O encontro contou com a participação do gestor interino do Aeroporto de Torres, Gessilney da Paz Gomes, do gestor interino do Aeroporto de Canela, Joacir Araujo dos Santos, e do gerente de Aviação da Fraport Brasil, Pedro Navega, administradora do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre.
Segundo Navega, o RS recebe turistas de todo o Brasil e, por isso, precisa incentivar a malha regional. “A evolução dos aeroportos regionais ajuda muito a gente conseguir trazer esse passageiro que hoje usa o modal rodoviário para o modal aéreo. Geograficamente, o RS é gigantesco e precisa desses aeroportos regionais. Até porque isso fará aumentar os voos para a Capital e incentivar novas rotas internacionais partindo de Porto Alegre”, citou.
Já o gestor do terminal de Canela deu mais detalhes das obras que serão necessárias para ampliar o terminal, como a recuperação e o alargamento da pista, além da construção de hangares e demais equipamentos para infraestrutura. Inicialmente, o investimento da Infraero, que está em processo de assumir o aeroporto, será de R$ 30 milhões, mas o valor deve ser ainda maior.
“A tragédia nos mostrou a necessidade de ter, além de Porto Alegre e Caxias do Sul, alternativas para o público que deseja ir para a Serra Gaúcha. Trabalhei por anos no terminal de Foz do Iguaçu e a cidade se transformou para melhor após investimentos no aeroporto, e queremos fazer o mesmo em Canela. Nossa expectativa é atender passageiros que não viajam para Gramado e Canela por não aceitarem a falta de uma conexão direta”, relatou dos Santos.
Assim como em Canela, a Infraero também está assumindo a gestão do Aeroporto de Torres. Gessilney da Paz Gomes destacou que a pista atual do terminal já é maior que a do tradicional Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e que obras serão realizadas para tornar o local atrativo para companhias aéreas e passageiros. O aeroporto receberá um aporte de R$ 2,2 milhões para melhorias na infraestrutura.
“Torres tem um grande potencial, seja para receber turistas para o Litoral Norte do RS e para o Litoral Sul de Santa Catarina, assim como uma alternativa para o aeroporto de Porto Alegre, em função de sua proximidade com a região Metropolitana. Atualmente, nosso movimento de pico é em janeiro e fevereiro, quando o aeroporto recebe cerca de 700 voos no período. Mas acredito que, com a instalação de um posto de abastecimento, esse movimento possa aumentar”, completou o gestor.
O presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, celebrou a reabertura do aeroporto Salgado Filho, mas abordou a necessidade de uma reflexão sobre os gargalos da aviação no RS, principalmente no interior. “Precisamos debater qual é a nossa resiliência para que dificuldades como essa que enfrentamos, de interagir com o resto do país, sejam superadas no futuro”, finalizou.