Cidades

Urbano e com “nome de pintor”, piquete reforça amor às tradições no Acampamento Farroupilha de Porto Alegre

Velho Picasso, na verdade, homenageia cavalo com pelagem escura e quatro extremidades das patas brancas

Luciano Santiago, morador do bairro Bom Fim, representa o puro e simples amor pelo tradicionalismo
Luciano Santiago, morador do bairro Bom Fim, representa o puro e simples amor pelo tradicionalismo Foto : Alina Souza

Quem não é acostumado à lida campeira e passa pelo piquete Velho Picasso, no Acampamento Farroupilha de Porto Alegre, pode achar que o local presta homenagens ao pintor espanhol cubista, mas o engano é certo: picasso, ou picaço, é o cavalo crioulo de pelagem branca nas extremidades das quatro patas, geralmente com o restante do pelo escuro. É um piquete, por assim dizer, urbano, já que seus integrantes não têm relação direta com a atividade rural.

O que os une, segundo um de seus integrantes, Luciano Santiago, morador do bairro Bom Fim, é o puro e simples amor pelo tradicionalismo. O “Velho Picasso” foi fundado em 1985, contou Santiago, que trabalha em uma empresa de logística, e foi vendido pelo fundador, identificado apenas como Daniel, no começo deste século. Em 2002, ele foi adquirido por oito casais, que modificaram a bandeira e modernizaram o espaço, mas mantiveram o nome.

Hoje, são dez casais ativos, entre eles os patrões Cléber Serafim Balsamo e Lucimara Balsamo, de vários locais diferentes, como outros bairros de Porto Alegre, e apenas um membro é original do período da compra. Ele próprio afirma que a participação em um grupo de danças típicas fez acender a paixão pela tradição, assim que trajou as vestimentas.

“Eu não fui criado em fazenda, não lancei gado, não marquei castração, não fiz nada disso. Na verdade, não somos campeiros, somos tradicionalistas”, disse Santiago. Outro dos integrantes históricos do local é “seu Alegrete”, identificado somente como Danilo, um senhor de 80 anos de idade que chegou a ter um piquete próprio no Acampamento Farroupilha, com apelido justificado por ser natural do município fronteiriço, mas que hoje está afastado do convívio dos demais integrantes em razão da idade avançada.

Durante as enchentes, todo o madeiramento do galpão estava em uma madeireira de um dos integrantes na rua Voluntários da Pátria, na região central de Porto Alegre, mas a água levou praticamente tudo. “Não conseguimos salvar uma única tábua. O que não se perdeu ficou boiando”, disse Santiago. Com isso, assim como outros piquetes, o Velho Picasso não participou da edição de 2024, tampouco perdendo o direito ao seu lote no Parque Harmonia.

Os amigos conseguiram se recompor, trocaram telhados e reestruturaram o espaço, voltando praticamente ao mesmo local de antes. Hoje, a tradição se mantém com itens típicos e históricos no piquete, exclusivamente para famílias e amigos. “Eu não fui criado em fazenda, não lancei gado, não marquei castração, não fiz nada disso. O tradicionalismo é aquilo que a gente mantém, uma coisa que a gente acha linda, bonita, de respeito, e tenta manter”, observou o integrante.

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