Economia

Alta do diesel pressiona transporte e empresas avaliam pedir aumento do subsídio em Porto Alegre

Combustível já chega a R$ 8,10 na Capital, mas ônibus e lotações seguem operando normalmente

Receio de alta e possível restrição no diesel provoca aumento de movimento e variação de preços em postos de Porto Alegre.
Receio de alta e possível restrição no diesel provoca aumento de movimento e variação de preços em postos de Porto Alegre. Foto : Alina Souza

O aumento do preço do diesel, em meio à guerra no Oriente Médio, já começa a pressionar o transporte público de Porto Alegre. Apesar de ônibus e lotações seguirem operando normalmente na Capital, empresas do setor afirmam que o custo do combustível já impacta o sistema e pode levar a um pedido de ampliação do subsídio pago pela prefeitura para manter a tarifa aos usuários.

O monitoramento ocorre após cidades do interior do Rio Grande do Sul registrarem redução de horários. Em Rio Grande, no Sul do Estado, a concessionária responsável pelo transporte coletivo anunciou cortes temporários em linhas e horários por dificuldade na compra de diesel. Situação semelhante foi registrada em Santiago, na Região Central.

Na Capital, porém, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana de Porto Alegre informou que acompanha o abastecimento nas garagens das empresas e nas distribuidoras. “Até o momento, a operação do transporte público segue normalizada, sem comprometimento no abastecimento ou na oferta de viagens de ônibus à população”, afirmou a pasta, em nota.

Mesmo sem impacto direto na operação, o aumento do diesel já preocupa o setor. A Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATPPOA) informou que as empresas começaram a sentir os efeitos da alta do combustível.

Segundo a entidade, ainda não há falta de abastecimento para os ônibus, mas o aumento de preços já eleva os custos do sistema. “Apesar de não termos informações sobre desabastecimento, as empresas já estão sendo impactadas com o aumento de preço do combustível e preocupadas com novos aumentos exorbitantes que possam acontecer”, informou a associação.

De acordo com a ATPPOA, a elevação do diesel tende a aumentar o custo por quilômetro rodado do transporte coletivo. A entidade avalia, porém, que dificilmente o impacto será repassado diretamente à tarifa dos usuários. “A expectativa é também aumentar o subsídio”, informou a entidade.

Enquanto isso, o preço do diesel apresenta forte variação nos postos da Capital. Dados do aplicativo Menor Preço Nota Fiscal Gaúcha apontam que o combustível pode ser encontrado por R$ 6,16 no bairro Sarandi, na zona Norte de Porto Alegre. Já no bairro Nonoai, na zona Sul, o litro chega a R$ 7,99 para pagamentos em dinheiro ou Pix e pode alcançar R$ 8,10 no cartão. Em Canoas, na Região Metropolitana, já é encontrado a R$ 8,19 em um posto no bairro Rio Branco.

A gasolina também apresenta diferenças de preços. O menor valor registrado na Capital nesta quinta-feira foi de R$ 5,89 no bairro Farroupilha, enquanto alguns postos chegam a vender o combustível por até R$ 6,69. Procurado, o Procon de Porto Alegre afirmou apenas que segue orientação da Senacon.

Nesta semana, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que o Rio Grande do Sul possui estoques suficientes para garantir o abastecimento regular de diesel e que a produção e entrega seguem em ritmo normal pela Refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas.

A agência também iniciou verificações nas distribuidoras para apurar volumes em estoque e eventuais recusas de fornecimento. Segundo o órgão, aumentos de preços considerados abusivos poderão ser investigados em conjunto com órgãos de defesa do consumidor. “Cabe destacar que o Rio Grande do Sul é um estado que produz mais diesel do que consome, encontra-se com nível de estoque regular e não foram constatadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem uma eventual recusa no fornecimento do produto”, afirmou a ANP.

Governo anuncia medidas

Em meio à pressão internacional sobre o petróleo, o governo federal anunciou nesta quinta-feira um pacote de medidas para tentar conter o impacto do diesel. Entre as ações está a redução a zero das alíquotas de PIS/Cofins sobre o combustível, gerando uma economia de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores, com o objetivo de aliviar a pressão sobre o insumo essencial para o transporte de cargas, a produção agropecuária, o abastecimento das cidades e a mobilidade de milhões de brasileiros. A medida será editada via decreto presidencial.

Além disso, uma Medida Provisória vai prever o pagamento de subvenção a produtores e importadores de diesel, no valor de R$ 0,32 por litro, que deverá ser repassada. Somadas, as duas medidas têm o objetivo de gerar um alívio de R$ 0,64 por litro nas bombas.

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