Economia

Anfavea desiste de contestar isenção de cota para veículos elétricos e híbridos

Benefício favorece principalmente as marcas chinesas que trazem componentes para montagem final no Brasil

BYD traz componentes para montar carros no Brasil
BYD traz componentes para montar carros no Brasil Foto : AFP

A Anfavea, entidade que representa as montadoras no Brasil, desistiu de levar à Justiça a decisão do governo que prorrogou por mais seis meses a importação livre de imposto de carros híbridos e elétricos cuja produção final é realizada no Brasil. O benefício favorece, em especial, a marca chinesa BYD, que traz componentes da China para montagem final na fábrica de Camaçari, na Bahia.

Por outro lado, a entidade vai apresentar uma representação ao Tribunal de Contas da União (TCU) cobrando mudanças de governança na Câmara de Comércio Exterior (Camex), colegiado que aprovou a renovação das cotas a partir deste mês.

Durante entrevista coletiva, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, explicou que um processo judicial se estenderia por mais tempo do que o período de vigência das cotas. Por isso, após consulta ao departamento jurídico, a associação optou por não contestar o benefício. "Chegamos à conclusão de que não vamos judicializar. Quando isso é levado para a Justiça, leva muito tempo, às vezes anos a fio. Entendemos que a eficácia de uma judicialização nesse contexto não seria boa", comentou Calvet.

Em críticas à Camex, o presidente da Anfavea afirmou que, durante a análise do pedido de cotas, faltou a publicação prévia da agenda do Comitê de Alterações Tarifárias (CAT). Segundo ele, o tema não entrou em discussão com a devida antecedência nem houve espaço adequado para o contraditório.

Por isso, a entidade, disse Calvet, está prestes a apresentar uma representação ao Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU), pedindo o aperfeiçoamento da governança da Camex. "Não vai reverter a decisão, que é uma excepcionalidade, mas o Tribunal de Contas pode ajudar a melhorar a governança", afirmou Calvet. "Esse rito de governança da Camex precisa ser aprimorado (...). Talvez, se tivéssemos sido ouvidos, se tivéssemos tido tempo para discussão, a decisão não teria sido tomada dessa maneira", acrescentou o executivo.

No dia 23 de junho, a Camex renovou por mais seis meses a cota de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), no valor total de US$ 463 milhões. A Anfavea apontou que a medida colocava em risco os investimentos estimados em R$ 140 bilhões anunciados pelas montadoras no País.

A BYD sustenta que a cota fez parte de um entendimento com o governo para viabilizar os investimentos na Bahia e que a isenção seria um instrumento de transição até uma produção mais completa, com maior conteúdo nacional. O vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, também buscou reduzir a escalada do embate ao afirmar, no dia 22 de junho, que "brigar com o governo nunca é bom". Segundo ele, o mecanismo não teria atendido apenas à BYD, mas também outras empresas que investem no Brasil.

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