O governo argentino deve acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a aplicação, pelo Brasil, de medidas antidumping sobre o leite em pó importado da Argentina, de acordo com pessoas a par do assunto.
Autoridades do país vizinho contestam a decisão do Brasil, implementada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) em 29 de maio, de aplicar direito antidumping definitivo, por até cinco anos, sobre o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai. A aplicação da medida, contudo, está suspensa temporariamente para avaliação de eventual impacto inflacionário.
A retaliação argentina não deve se restringir ao recurso à OMC e envolverá também medidas comerciais. Diplomatas argentinos afirmam que o reconhecimento de dumping pelo Brasil atrapalha negociações em andamento entre os países e pode levar à revisão de decisões anteriores.
Uma das medidas potenciais é a retomada do direito antidumping contra o Brasil em relação à importação de talheres de aço inoxidável. A sobretaxa de 47%, aplicada ao longo de seis anos e que atingia empresas como Tramontina e Mundial, foi suspensa em junho de 2024, atendendo a um pedido do governo Lula.
As medidas em resposta ao Brasil estão sendo avaliadas pelo Ministério da Economia e pelo Ministério das Relações Exteriores da Argentina. Procuradas, as pastas não responderam.