Realizado durante a Feira Internacional de Tecnologia em Bioenergia e Biocombustíveis (BioTECH Fair), o Congresso Internacional de Bioenergia reúne investidores, representantes públicos, entidades e pesquisadores para debater o futuro da geração de energias renováveis. Nesta quarta-feira, o destaque foi o painel Energia e Movimento: Diversificação de fontes energéticas como vetor de crescimento.
A abertura do debate foi realizada pelo presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), Jerônimo Goergen, que defendeu a união para desenvolvimento em vários modais energéticos com previsibilidade e segurança energética. O representante também enfatizou a criação e a implementação da Lei Combustível do Futuro, que prevê a promoção de modalidades sustentáveis e de baixo carbono na matriz da produção de combustíveis. Para Goergen, tão importante quanto a legislação é a garantia de segurança jurídica para o sistema.
Na ocasião, a presidente do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS) , Daniela Cardeal, apresentou um plano para desenvolvimento econômico e descarbonização. “Somos o único Estado com margem para ligar grandes projetos. No momento que fazemos a indústria das energias renováveis crescer, aumenta a produção local aqui e diminui a nossa interdependência do sistema nacional”, explica a representante sindical.
Ela destaca que, apesar do crescente desenvolvimento no Rio Grande do Sul, e o imenso potencial produtivo em diversas matrizes energéticas, o Estado não é autossuficiente em energia. Com a estratégia de investimentos apresentada no evento, a representante propõe mudar essa realidade.
“Nos próximos 10 anos, nós queremos trazer a autossuficiência do nosso estado. Isso é um plano de médio prazo, esse tempo passa muito rápido. Não podemos deixar de aproveitar todo esse potencial produtivo.”, explicou Daniela Cardeal.
A estratégia de investimentos é dividida em três eixos. O primeiro diz respeito a criação de um fundo para energias renováveis. Diferente de outros estados, não há uma política pública que garanta juros mais baixos para investimentos desta natureza. “Um diferencial do Rio Grande do Sul é ter espaço para reunir empresas, academia e representantes governamentais para criar políticas públicas para promover a segurança energética”, argumenta.
O segundo eixo trata do desenvolvimento de todos os modais energéticos desenvolvidos no Estado. De acordo com ela, a economia se fortalece com a diversidade de alternativas e isso garante o desenvolvimento econômico do RS. “É uma transição energética extremamente justa porque a nossa ideia aqui não é provocar extinção de outros modelos, mas mostrar como os novos podem trazer segurança para o sistema”, defende.
Já a terceira etapa do projeto prevê o agrupamento de sistemas para descarbonização. Nesta etapa, as novas tecnologias em combustíveis, energias renováveis e hidrogênio verde passam a ser aplicadas na logística e agronegócio promovendo a descarbonização dos setores. De acordo com ela, promover segurança para o sistema atrai investimentos.
Também participaram do painel a presidente do Conselho Regional dos Engenharia e Agronomia. Nanci Walter e o Vice-Presidente do Sindienergia-RS, Rafael Salamoni. Os palestrantes falaram a um público de aproximadamente 100 pessoas no principal palco do congresso, que ocorreu dentro da BioTECH Fair e vai até o dia 20 de março. Os painéis são ministrados no Centro de Eventos da Fiergs, no mesmo espaço em que estão dispostos estandes de instituições expositoras.