Economia

Brasil tem a oportunidade de ser referência em geração de hidrogênio verde, aponta especialista

Frederico Boschin também destaca o potencial do RS neste mercado

Frederico Boschin, especialista no setor de energia, indica o potencial do Brasil e do RS no mercado de hidrogênio verde
Frederico Boschin, especialista no setor de energia, indica o potencial do Brasil e do RS no mercado de hidrogênio verde Foto : Camila Cunha

Em evento promovido pela Câmara Brasil-Alemanha no RS, o especialista no setor elétrico Frederico Boschin compartilhou insights e experiências relacionadas ao hidrogênio enquanto produto. A palestra “Hidrogênio e Infraestrutura Energética: Tendências e Tecnologias” focou no cenário atual deste nicho das energias renováveis, que tem ganhado pela variedade de usos em diversos setores de produção.

O especialista comentou sobre as inovações do segmento expostas no World Hydrogen Summit & Exhibition 2026, realizado em maio, em Roterdã, na Holanda, que é considerado um dos mais importantes eventos globais dedicados ao hidrogênio e a soluções energéticas.

Ao longo da palestra, Boschin destacou a variedade de usos do hidrogênio enquanto partícula simples. “Como é um molécula pequena, é altamente reativa e se comunica com praticamente todos elementos da natureza, o que também faz que tenha uma infinidade de aplicações”, apontou. Entre os usos citados, estão as indústrias petroquímica, agricultura, indústria petroleira, transporte e aquecimento, o que coloca o hidrogênio como um “vetor energético”.

Desafios para popularização do Hidrogênio verde

Os hidrogênio industriais são classificados por cores, com uma forma de indicar a origem e a pegada de carbono no processo de produção do insumo. O Hidrogênio cinza é o mais comum na indústria atual, extraído do gás natural pelo processo de reforma a vapor, emitindo dióxido de carbono na atmosfera. O Hidrogênio azul é obtido do gás natural, mas com captura e armazenamento de carbono (CCS), reduzindo drasticamente as emissões. Já o Hidrogênio verde é produzido por por eletrólise da água usando energia limpa (eólica, solar, hidrelétrica), sem emitir poluentes na produção ou consumo da energia.

Boschin destacou o amplo investimento em gasodutos feito pela Alemanha, para facilitar o desafio logístico enfrentado na distribuição do hidrogênio industrial. O especialista coloca o hidrogênio como algo desejado pelo mundo todo, já que é ecológico, altamente lucrativo e com muitas aplicações, mas que depende de uma conjunção de fatores para se tornar algo viável. “Para o processo funcionar, preciso ter uma abundância de insumo, ou seja, água e energia barata. Tem que ter demanda local, porque transportar se torna inviável, e também tenho que ter uma infraestrutura de porto e linha de transmissão, porque precisa de energia e consumo”, indagou. “Por conseguir unir essas condições, tanto o Brasil quanto o Rio Grande do Sul se destacam”, emendou.

Esse cenário não ocorre na Europa e na Alemanha, que não possuem matrizes energéticas limpas como as presentes no Brasil. O RS, por ter uma produção agrícola densa, consegue consumir amônia verde e uréia, que são subprodutos gerados depois do hidrogênio verde.

Pela perspectiva de Boschin, o Brasil e o RS tem oportunidade de se tornar uma referência da produção de hidrogênio, tanto do ponto de vista tecnológico quanto produtivo. ”Por ser um país sem guerras e conflitos maiores, além de ter um potencial de consumo interno, o Brasil tem uma oportunidade de se colocar como fornecedor do mercado europeu, que precisa lidar com uma política ambiental estrita e tem metas de descarbonização na indústria”, comentou o especialista.

Frederico Boschin é diretor da Noale Engenharia, coordenador da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica em Santa Catarina (ABSOLAR-SC), membro do grupo de trabalho de Energia da FIERGS, conselheiro fiscal e diretor de Energia Solar do Sindienergia-RS, além de professor universitário.

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