A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, na madrugada desta sexta-feira (13), o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Com uma maioria expressiva de 203 votos a favor, 42 contra e quatro abstenções, o texto segue agora para o Senado.
Se a aprovação final ocorrer nas próximas duas semanas, conforme o previsto, a Argentina será o primeiro país do bloco sul-americano a ratificar o tratado assinado em janeiro, em Assunção.
Impacto global e a maior zona de livre comércio
O pacto visa integrar os 27 Estados-membros da UE à Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, criando a maior zona de livre comércio do mundo. O mercado abrange cerca de 700 milhões de pessoas e promete transformar o fluxo de bens e serviços entre os blocos.
No entanto, o cronograma de implementação integral enfrenta desafios na Europa, onde o Parlamento encaminhou o texto aos tribunais em janeiro para análise jurídica, o que pode adiar a vigência formal por vários meses.
Resistência europeia e aplicação provisória
A oposição ao acordo é liderada pela França, que demonstra preocupação com os impactos competitivos nos setores agrícola e pecuário. Apesar do impasse no Legislativo europeu, a Comissão Europeia — braço executivo da UE — detém a prerrogativa de implementar o tratado de forma provisória.
Enquanto isso, o governo argentino acelera a tramitação interna para se posicionar como pioneiro na adoção das novas regras comerciais e garantir vantagens competitivas precoces.