Se alertou o campo gaúcho o ofício da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), pedindo “ações urgentes” diante de relatos de restrições e atrasos na entrega de óleo diesel aos produtores rurais gaúchos, na cidade o cenário é de cautela. O governo federal tem segurado o preço por meio de subvenções; a mais recente é de R$ 1 por litro de diesel para produtores e importadores.
A diferença entre a cotação da Petrobras e o custo de importação ultrapassou ainda R$ 3 por litro. Hoje, o Brasil depende da importação para suprir entre 25% e 30% de seu consumo nacional deste combustível, mas com as incertezas provocadas pelas guerras da Rússia com a Ucrânia, e dos Estados Unidos com o Irã, o preço internacional do petróleo disparou, permanecendo acima dos US$ 100 há semanas.
Combustíveis e energia representam entre 5% a 8% do principal indicador nacional de inflação, o IPCA. O presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do RS (Fecam-RS), André Luiz Costa, diz no entanto ainda ser “muito cedo” determinar uma mudança de comportamento dos profissionais relacionado ao diesel no ambiente do transporte. Fato é, que, segundo ele, há sim um cenário de instabilidade global que pode reverberar de alguma maneira no setor.
“Tem gente em tudo que é mídia social dizendo: ‘vai falar diesel’, ‘temos que racionar’, há toda uma teoria da conspiração, até um certo terrorismo. Diante deste dinamismo da informação, de rapidez e sobrecarga de informação, todo mundo especulando sem verificar a notícia, precisamos ter um pouco de paz e serenidade. Ainda temos muitas coisas a viver pela frente até o final do ano”, disse Costa, afirmando que o comportamento será avaliado até a semana que vem, ao menos.
A economista Dilani Silveira Bassan, doutora em Desenvolvimento Regional e professora das Faculdades Integradas de Taquara (Faccat), diz que o diesel acabou se tornando “muito caro” em relação aos demais combustíveis, o que tem impactos diretos em diversos sistemas, como, justamente, transporte, produção industrial e agrícola.
“Temos o transporte rodoviário como o principal motor da nossa atividade econômica, porque há o transporte de alimentos e cargas em sua maioria pelas estradas. Mesmo os subsídios do governo federal não têm, de certa forma, baixado os preços dele. Isto impacta diretamente nos preços dos produtos finais, fazendo com que fiquem elevados”, disse Dilani.
No caso do produtor rural, a economista diz que o diesel se torna ainda mais elevado porque grande parte da compra é feita por meio de atravessadores, ou Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs), que cobram, por vezes, preços maiores do que diretamente nas bombas. O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no RS (Setcergs), Delmar Albarello, ressaltou também haver falta do diesel nas lavouras devido à limitação de contratos da Petrobras, reduzindo cotas às distribuidoras. “Quando dá qualquer falta, primeiro estoura no TRR. Precisamos aguardar as decisões internacionais para avaliar como será o abastecimento nos postos”, comentou ele.
Neles, os preços aumentaram nos últimos dias. De acordo com o painel de dados da ANP, na semana entre 6 e 12 de setembro, o preço média de revenda do litro do óleo diesel S10 foi de R$ 6,72 no Rio Grande do Sul, contra R$ 6,55 entre 30 de agosto e 5 de setembro. Em Porto Alegre, o levantamento mais recente mediu o preço em R$ 6,35 o litro, contra R$ 6,29 na semana anterior. Na média nacional, o litro foi cobrado, em média, a R$ 6,97 no levantamento entre 6 e 12 de setembro. Era R$ 6,88 entre 30 de agosto e 5 de setembro.
* Colaborou Lúcia Haggström