Economia

Cenário econômico com altos juros traz desafios para o crédito imobiliário

Os desafios do mercado e os caminhos para aumentar o acesso ao crédito foram tema de discussão da terceira edição do Seminário de Crédito Imobiliário, promovido pelo Sinduscon-RS

Evento ocorreu na sede do Sinduscon-RS
Evento ocorreu na sede do Sinduscon-RS Foto : Dudu Leal / Divulgação / CP

O cenário econômico delicado, com altos juros e linhas de crédito, está trazendo desafios para o mercado e para as empresas acessarem o crédito imobiliário. Com o objetivo de discutir a evolução do funding imobiliário – captação de origem dos recursos para viabilizar projetos na construção –, os desafios do mercado relacionados ao crédito e casos reais de estruturação financeira, o Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS) reuniu, nesta terça-feira, especialistas do setor na sede da entidade na terceira edição do Seminário de Crédito Imobiliário.

No evento, foi evidenciado que o financiamento imobiliário brasileiro passa por uma transformação estrutural. A partir de janeiro de 2027, um novo modelo de funding deverá alterar gradualmente a forma de captação de recursos destinados à habitação, reduzindo a dependência da poupança tradicional e estimulando fontes alternativas no mercado de capitais. A transição ocorre em um ambiente ainda marcado por taxas de juros elevadas.

“Hoje a gente está vivendo um momento muito desafiador, porque o crédito imobiliário nunca esteve tão alto. Estamos trabalhando com juros muito altos, linhas de crédito caras. O crédito existe, mas está muito caro. A gente acaba tendo que buscar alternativas dentro do mercado de capitais, e isso impacta diretamente na viabilidade dos empreendimentos”, disse Rafael Garcia, presidente do Sinduscon-RS.

Garcia lembra que quem mais sofre com isso são as pequenas e médias empresas, que acabam não conseguindo fechar suas contas, e optam por não fazer lançamentos ou esperar amenizar o cenário. “As empresas estão optando por fazer construção dentro do alto padrão ou do segmento do Minha Casa Minha Vida, porque simplesmente a conta não está fechando no segmento do médio padrão. A gente vai ver um grande vazio dentro desse segmento nos próximos anos”, estima o presidente.

Ele defende que, no Rio Grande do Sul, uma agenda estratégica para facilitar as linhas de crédito envolve o Banrisul, que, segundo ele, é parceiro da construção civil e incentiva as pequenas e médias empresas. “É para que essas empresas que hoje representam no estado 90% das empresas da construção civil, possam continuar operando e viabilizando os seus empreendimentos.”

A primeira palestra do seminário tratou do panorama nacional e regional do crédito imobiliário, com as perspectivas e os desafios. A coordenadora de Projetos na FGV/IBRE, Ana Maria Castelo, tratou dos vetores de crescimento do mercado em 2026, e as mudanças do setor, envolvendo a produtividade e a industrialização.

Uma das principais preocupações do setor diz respeito à falta de mão-de-obra, com impactos no cenário econômico. As recentes divulgações do Produto Interno Bruto (PIB) apontam uma taxa de juros restritiva e que provoca efeitos sobre o consumo das famílias. Há, também, o custo sobre o capital, que penaliza as empresas.

"Um aspecto importante, inclusive para o próprio setor, é que o mercado de trabalho se mantém resiliente e aquecido, sustentando a renda, a despeito dessa desaceleração. São aspectos importantes do nosso cenário macroeconômico, e que tem influência no nosso cenário setorial", pondera Ana.

Ela também lembra que o que está movendo o setor em 2026 é o setor produtivo e o investidor privado, tanto no âmbito nacional quanto regional. Além disso, o setor tem seu dinamismo, o que mantém o mercado de trabalho aquecido. Visualizando 2027, a especialista destaca que há um cenário nebuloso sobre que medidas propõem os candidatos que devem governar a partir do ano que vem para os ajustes. A desaceleração da economia também deverá ficar mais evidente no ano que vem.

Participaram desta palestra, também, Filipe Pontual, diretor executivo da Abecip; Fernando Lemos, presidente do Banrisul e Tiago Helgueira Nenê. superintendente executivo de Habitação da Caixa Econômica Federal.

Outro painel debateu o funding na prática, com cases reais de estruturação. Participaram Luciano Corrêa, diretor-presidente da CFL Empreendimentos; Luís Felipe Carchedi, diretor geral da OXY Companhia Hipotecária e Lucas Braga Eichenberg, sócio na Eichenberg, Lobato, Abreu & Advogados Associados.

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