Com o objetivo de apresentados modelos, estratégias e iniciativas que contribuíram para fortalecer os ambientes de inovação do Rio Grande do Sul, foi apresentado nesta terça-feira, no Tecnopuc, o diagnóstico do Ecossistema de Inovação de Porto Alegre, um balanço inédito que mapeia a transformação da capital gaúcha a partir da criação do programa Pacto Alegre, que busca criar condições para que a cidade de transforme em um polo de inovação.
Os dados foram referentes a sete anos de atuação, de 2018 e 2025. A pesquisadora responsável pelo diagnóstico e também professora da Ufrgs, Aurora Carneiro Zen, trouxe o balanço das atividades do projeto para o ecossistema em sete anos.
Em termos de talento e conhecimentos, houve um avanço na escolaridade de nível superior, que saiu de 23% para 29% em 2025 no Estado, superando capitais como São Paulo e Belo Horizonte, com investimentos em rede de faculdades, centros universitários, instituições de ensino superior e programas de stricto sensu. Aumentou, também, a propriedade intelectual digital, com registro de software que sobe de 49 a 78 em 2023.
Entre os desafios críticos e gargalos, estão os baixos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Em 2023, o índice estava em 4,9 nos anos iniciais e 4,1 nos finais, abaixo de capitais como Curitiba. "Há necessidade de repensar as metodologias de ensino para engajar essa população e as crianças. Ter realmente uma construção ativa de conhecimento, utilizando tecnologias digitais e fortalecendo a cultura empreendedora", destacou Aurora. Houve, também, queda nos depósitos de patentes. O volume anual recuou de 155 em 2017 para 128 em 2023, evidenciando um distanciamento da bancada-mercado.
Quanto ao capital financeiro, foi observado aumento nos repasses federais, especialmente para ciência e tecnologia, subindo de R$ 14,84/hab em 2018 para R$ 125,98/hab em 2024, consolidando o segundo lugar nacional. Ainda, a presença da rede bancária de microcrédito, com 12 bancos operando em linhas de microcrédito e fomento regional do Banrisul, Sicredi e Banrisul.
Os pontos críticos evidenciam a questão da governança do Pacto Alegre, com a necessidade de personalidades jurídicas próprias. "Isso poderia facilitar a captação e o repasse de recursos." A assimetria territorial ainda é outro ponto para ser desenvolvido. Como explica Aurora, existe ainda uma assimetria territorial. "Precisamos incluir territórios inovadores, com projetos que realmente vão integrar Restinga, Bom Jesus, Mario Quintana e outras áreas de Porto Alegre, para pensar como superar as barreiras de acesso dessa população aos editais de fomento, ao microcrédito e a questão de instabilidade do fomento público, que sempre gera uma maior preocupação a cada ciclo político."
Em termos de infraestrutura para inovação, há um crescimento em startups, aumentando de 168 em 2017 para 839 em 2025. Houve, também, crescimento de Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), de 5 para 17, ampliando a capacidade de transferência universidade-empresa. Entre os gargalos, estão o difícil acesso aos novos hubs por transporte coletivo, dificultando o acesso de talentos às periferias. A enchente também evidenciou risco sobre os espaços físicos e evidenciou a urgência de infraestrutura de contenção.
Com os resultados, Aurora destaca que os principais desafios daqui para frente é constituir formalmente o Pacto Alegre como agência de inovação, com autonomia de captação direta. Além disso, alinhar órgãos e instituições para ter segurança em compras públicas inovadoras, com um fórum jurídico permanente. Também, haver mais conexões com comunidades periféricas, e criar ações para envolver estudantes desde o ensino fundamental para quebrar ciclos de exclusão.
Quando criado em 2018, o programa Pacto Alegre buscou ser um ecossistema de inovação, empreendedorismo e criatividade, para ser uma referência na América Latina. O coordenador do Comitê Estratégico do Pacto Alegre e superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS e do Tecnopuc, Jorge Audy, destaca que um dos primeiros projetos foi a criação e o desenvolvimento do Instituto Caldeira, e o projeto Territórios Inovadores, que busca criar dentro de territórios ações de inovação, criatividade e empreendedorismo em comunidades como Morro da Cruz, Bom Jesus, Planetário, Cruzeiro, Restinga e Mario Quintana.
"O objetivo do Pacto Alegre é permitir que possamos, em conjunto, refletir sobre os principais modelos brasileiros de construção de distritos de inovação, como São Paulo, Santa Catarina e Pernambuco, em um contexto do nosso próprio desenvolvimento e do desenvolvimento dos distritos de inovação em Porto Alegre, seja no 4º distrito, seja na zona Leste, seja na Restinga, ou seja, nos projetos específicos dentro do contexto do Pacto Alegre", destacou Audy.
A professora Clarissa Stefani Teixeira, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), também apresentou seu case de Santa Catarina como referência nacional em ambientes de inovação. O evento está dentro de um contexto de diagnósticos de outros estados. No primeiro evento, foi apresentado o modelo dos distritos de inovação e a evolução do modelo de inovação do estado de São Paulo. No terceiro evento, será apresentado o modelo de Recife de inovação, do Porto Digital e dos crescimentos futuros na capital.