Economia

CongregaRH debate qual é o futuro da área de gestão e pessoas

Evento promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos seccional Rio Grande do Sul discute principais tendências do segmento e as transformações do mundo do trabalho

CongregaRH ocorre durante essa quarta e sexta-feira no Centro de Eventos da PUCRS
CongregaRH ocorre durante essa quarta e sexta-feira no Centro de Eventos da PUCRS Foto : Charles Garcia / Divulgação / CP

O mercado de gestão e pessoas está passando por mudanças e cada vez mais cercado por automação, velocidade e respostas instantâneas. Porém, o contato humano continua essencial. Essas são as principais reflexões do CongregaRH, que ocorre durante essa quarta e sexta-feira no Centro de Eventos da PUCRS. Tendo como tema “Quem imagina o futuro?”, o evento, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos seccional Rio Grande do Sul (ABHR), reúne lideranças na área para debater as principais tendências do segmento.

Para o presidente da ABRH, Pedro Luiz Fagherazzi, ao pensar no futuro do setor, é impossível escapar dos impactos no uso de tecnologias como a inteligência artificial. “Está impactando nas pessoas e vai movimentar o mercado de trabalho. E toda ferramenta, quando ela vem, vem para o bem, mas pode vir para o mal também. Como quando inventaram o avião: ele faz coisas muito bacanas, transporta para cá e para lá, dá mobilidade. Mas ele também é usado para guerra”, diz.

Na análise de Fagherazzi, é necessário ponderar o potencial que a ferramenta pode trazer, já que, dependendo da maneira do uso, o resultado pode ser prejudicial. “A principal característica dela é dar agilidade ao trabalho, o que demoraria um dia inteiro pode ser feito em minutos. Por outro lado, ele cria uma necessidade diferente na empresa. Dois exemplos: quem faz a pergunta para a IA, e quem vai analisar o que vem da IA? Se a pergunta está errada, a resposta virá errada e a pesquisa será feita errada.”

Presidente da ABRH, Pedro Luiz Fagherazzi | Foto: Eduardo Rocha / Divulgação / CP

Outro desafio elencado pelo presidente são os impactos na saúde mental, que também deverá mudar os modos de organização.

“Essa nova forma de trabalho, o impacto nas pessoas, também tem outras preocupações com as doenças mentais que estão acontecendo nas empresas, com depressão e ansiedade, o que é preocupante. Os dados de hoje nos fazem pensar em um futuro diferente, e como a gente vai lidar com essa nova realidade”, complementa.

Um dos destaques do evento são os palestrantes nacionais internacionais de referência na área. Entre os nomes, estão o fundador da School of Emotions, cofundador da Dignity Inc. e criador da metodologia Emotion-Centered Coaching, Daniel Newby; o ex-diretor do LinkedIn para a Europa e América Latina, Borja Castelar; o Chief Technology Officer (CTO) da Lenovo, Ed Soo Hoo; o doutor em Antropologia e autor do livro Coisa de Rico, Michel Alcoforado; o professor dos cursos de Alta Gestão na FGV e CEO da Cenarium, Marcelo Pirani, entre outros.

Em paralelo às palestras, ocorre a feira de negócios ExpoCongregaRH, que reúne empresas de variados segmentos. Unindo as tecnologias e os cuidados com a sobrecarga no trabalho, um dos estandes presentes apresenta uma ferramenta que utiliza IA para identificar riscos trabalhistas antes que eles virem processos. A Secullum Software desenvolveu o Auditor Preventivo com IA. O recurso analisa automaticamente os registros de jornada, identifica riscos trabalhistas antes que eles gerem prejuízos e orienta ações corretivas para as empresas.

“Essa auditoria preventiva consegue trazer, por exemplo, que o funcionário está passando de 10 horas no dia, ele não está fazendo um descanso adequado de um dia até o outro, que ele está passando do acordo no banco de horas. Tudo isso o sistema consegue olhar e trazer também ali o fundamento legal, do porquê aquilo pode gerar um problema. Consegue trazer, até mesmo, uma ação corretiva que pode ser feita, explica Adelina Heps, analista de suporte da Secullum.

O objetivo é atuar como uma análise preventiva, considerando o cenário de que passivos trabalhistas seguem entre as principais preocupações dos empresários brasileiros. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), somente em 2025, organizações desembolsaram R$ 50,6 bilhões em condenações decorrentes de ações trabalhistas. Além disso, até julho de 2026, a Justiça do Trabalho já registrou 2.605.829 novas ações.

O evento segue até sexta-feira, com palestras que abordam também o etarismo e os impactos nas empresas, o futuro do RH e contrastes do setor em diferentes países, entre outros assuntos.

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