Economia

Conhecida pelo mercado doméstico, Kingston vê oportunidades crescentes em IA e data centers corporativos

Empresa participa do Data Center World Brasil, um dos maiores eventos globais do setor, que ocorre em São Paulo até esta quinta

Data Center World Brasil 2026 começou nesta terça-feira, em São Paulo
Data Center World Brasil 2026 começou nesta terça-feira, em São Paulo Foto : Felipe Faleiro / Especial / CP

São Paulo recebe, desde esta terça-feira e até esta quinta um dos maiores eventos globais de tecnologia voltada ao setor empresarial. O Data Center World Brasil, realizado no São Paulo Expo, é focado em soluções para companhias em áreas estratégicas, algumas das quais o Rio Grande do Sul tem sido um player cada vez mais competitivo, como a instalação de data centers, com oportunidades em negócios nas áreas de hardware, equipamentos e investimentos em geral.

Prestes a completar 30 anos no Brasil, a Kingston, mais conhecida no mercado consumidor tradicional como fabricante de memórias e pendrives domésticos, busca acelerar sua atuação na infraestrutura corporativa no mercado latino-americano com outros produtos complementares, inclusive voltadas a relacionamentos, como parcerias com marketplaces. O Brasil, atualmente, concentra 58% da fatia de mercado da Kingston na América Latina e somente as vendas da linha enterprise cresceram 42% no primeiro semestre deste ano.

“O Brasil hoje é o principal polo de data center na América Latina. A gente tem muita energia limpa no país e já possuímos vários cabos submarinos. Hoje um dos principais gargalos de construir data center no mundo é a questão da energia, e isso o Brasil tem bastante”, destacou o country manager da Kingston no Brasil, Paulo Vizaco.

Para ele, a inteligência artificial está indo “para todos os lados”, em meio a uma “uma corrida gigante de players investindo até trilhões de dólares na criação de infraestrutura”. E o Rio Grande do Sul, como região que está recebendo projetos bilionários na área de data centers, como o da Parks, em Cachoeirinha, e o Scala AI City, em Eldorado do Sul, é um local onde há uma atenção concentrada, por meio de oportunidades de parcerias.

“Obviamente que vemos monitorando todos esses projetos. Estamos em contato com a maioria deles conversando, vendo o que que a gente pode agregar”, comentou Vizaco. Para ele, a Kingston também acompanha de perto as discussões e iniciativas regulatórias e tributárias no Brasil, a exemplo do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), sancionado a nível no mês passado.

Corrida global pela IA acelera

Conforme o executivo, a consolidação de incentivos como este é fundamental para reduzir o custo de infraestrutura no Brasil e tornará o ecossistema nacional de data centers ainda mais competitivo frente ao mercado mundial. “Como uma empresa de capital privado, temos a facilidade de se mover muito mais rápido do que qualquer outra. Então nos adaptamos bem a estas condições, principalmente tributárias. Temos uma flexibilidade muito grande neste sentido”, disse ele.

O gerente de Tecnologia da Kingston, Iuri Santos, comentou que as empresas de maneira geral têm visto inclusive ideias de voltar a viabilizar grandes projetos de infraestrutura tecnológica, ao verem na Kingston economia, suporte local e qualidade que, eventualmente, seja um gargalo em outros fornecedores. Na visão de Santos, “nunca se produziu tanto semicondutor na história da humanidade”, porque a corrida global pela IA gerou uma demanda sem precedentes por componentes de altíssima velocidade e capacidade.

Para ele, os preços destes atingiram um novo patamar global, e é irrealista buscar comparar os orçamentos atuais com os de anos anteriores. “Não devemos olhar para os preços que tínhamos antes, porque aquilo é um mundo sem a IA. A gente mudou, a tecnologia mudou. As empresas que estão ficando para trás são as que ainda estão olhando para o passado em vez de olhar para o presente imaginando se preparar para o futuro. Virou uma questão de sobrevivência: eu preciso me digitalizar”, apontou ele.

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