São Paulo recebe, desde esta terça-feira e até esta quinta um dos maiores eventos globais de tecnologia voltada ao setor empresarial. O Data Center World Brasil, realizado no São Paulo Expo, é focado em soluções para companhias em áreas estratégicas, algumas das quais o Rio Grande do Sul tem sido um player cada vez mais competitivo, como a instalação de data centers, com oportunidades em negócios nas áreas de hardware, equipamentos e investimentos em geral.
Prestes a completar 30 anos no Brasil, a Kingston, mais conhecida no mercado consumidor tradicional como fabricante de memórias e pendrives domésticos, busca acelerar sua atuação na infraestrutura corporativa no mercado latino-americano com outros produtos complementares, inclusive voltadas a relacionamentos, como parcerias com marketplaces. O Brasil, atualmente, concentra 58% da fatia de mercado da Kingston na América Latina e somente as vendas da linha enterprise cresceram 42% no primeiro semestre deste ano.
“O Brasil hoje é o principal polo de data center na América Latina. A gente tem muita energia limpa no país e já possuímos vários cabos submarinos. Hoje um dos principais gargalos de construir data center no mundo é a questão da energia, e isso o Brasil tem bastante”, destacou o country manager da Kingston no Brasil, Paulo Vizaco.
Para ele, a inteligência artificial está indo “para todos os lados”, em meio a uma “uma corrida gigante de players investindo até trilhões de dólares na criação de infraestrutura”. E o Rio Grande do Sul, como região que está recebendo projetos bilionários na área de data centers, como o da Parks, em Cachoeirinha, e o Scala AI City, em Eldorado do Sul, é um local onde há uma atenção concentrada, por meio de oportunidades de parcerias.
“Obviamente que vemos monitorando todos esses projetos. Estamos em contato com a maioria deles conversando, vendo o que que a gente pode agregar”, comentou Vizaco. Para ele, a Kingston também acompanha de perto as discussões e iniciativas regulatórias e tributárias no Brasil, a exemplo do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), sancionado a nível no mês passado.
Data Center World Brasil 2026 e participação da Kingston no evento
Corrida global pela IA acelera
Conforme o executivo, a consolidação de incentivos como este é fundamental para reduzir o custo de infraestrutura no Brasil e tornará o ecossistema nacional de data centers ainda mais competitivo frente ao mercado mundial. “Como uma empresa de capital privado, temos a facilidade de se mover muito mais rápido do que qualquer outra. Então nos adaptamos bem a estas condições, principalmente tributárias. Temos uma flexibilidade muito grande neste sentido”, disse ele.
O gerente de Tecnologia da Kingston, Iuri Santos, comentou que as empresas de maneira geral têm visto inclusive ideias de voltar a viabilizar grandes projetos de infraestrutura tecnológica, ao verem na Kingston economia, suporte local e qualidade que, eventualmente, seja um gargalo em outros fornecedores. Na visão de Santos, “nunca se produziu tanto semicondutor na história da humanidade”, porque a corrida global pela IA gerou uma demanda sem precedentes por componentes de altíssima velocidade e capacidade.
Para ele, os preços destes atingiram um novo patamar global, e é irrealista buscar comparar os orçamentos atuais com os de anos anteriores. “Não devemos olhar para os preços que tínhamos antes, porque aquilo é um mundo sem a IA. A gente mudou, a tecnologia mudou. As empresas que estão ficando para trás são as que ainda estão olhando para o passado em vez de olhar para o presente imaginando se preparar para o futuro. Virou uma questão de sobrevivência: eu preciso me digitalizar”, apontou ele.