Economia

Dívida federal sobe para R$ 9,29 trilhões, e fatia atrelada à Selic bate recorde

Títulos pós-fixados chegam a 52,74% do estoque em agosto

Dívida federal sobe para R$ 9,29 trilhões, e fatia atrelada à Selic bate recorde
Dívida federal sobe para R$ 9,29 trilhões, e fatia atrelada à Selic bate recorde Foto : Marcello Casal / ABr / Divulgação / CP

Números divulgados nesta segunda-feira pelo Tesouro Nacional mostram que a dívida pública federal aumentou 0,04% em agosto, na comparação com julho, passando de R$ 9,289 trilhões para R$ 9,293 trilhões.

Segundo o órgão, a variação refletiu um resgate líquido de R$ 84,434 bilhões no mês passado, somada ao impacto de R$ 88,388 bilhões com a apropriação dos juros. A rubrica inclui tanto a dívida interna quanto a externa.

No primeiro caso, o valor total caiu 0,05%, fechando o mês em R$ 8,944 trilhões. Já a dívida pública federal externa alcançou R$ 348,26 bilhões, o que representou um aumento de 2,41% no período.

Ainda pelos dados do Tesouro, a parcela de títulos da dívida atrelada à taxa Selic voltou a subir e atingiu o maior patamar da série histórica, iniciada em dezembro de 2000: foi de 51,11%, em julho, para 52,74% em agosto.

Segundo analistas, o aumento das incertezas sobre a trajetória das contas públicas no País, além de questões externas, é um dos fatores que têm levado o Tesouro a emitir mais títulos da dívida atrelados à Selic.

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges Dias, afirmou que a perspectiva é de redução na participação desses papéis na medida em que o governo alcançar superávits primários. Ele defendeu que a emissão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), papel atrelado à taxa Selic, é muito importante para financiar a dívida em momentos de incertezas, como o vivido pelo Brasil diante do cenário externo nos últimos anos.

"A LFT é um instrumento muito importante para o financiamento da dívida em momentos de incerteza, como temos observado nesses últimos anos, com vários choques, como pandemia, guerra da Ucrânia, guerra do Irã, todos os desafios que temos tido e estamos passando com grande tranquilidade em função desse instrumento", disse ele, durante coletiva para explicar os dados.

"A expectativa é de que possamos retornar a fazer superávits primários, que é a condição estrutural para que consigamos reduzir a participação de flutuantes na composição da dívida."

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