Economia

Dólar cai abaixo de R$ 5,09 com petróleo, carry trade e de olho em guerra

Em julho, a moeda americana cai 1,42% e no ano, -7,28%

Após um agravamento do conflito no Oriente Médio na semana anterior, nesta segunda houve "um enfraquecimento do dólar", segundo especialistas
Após um agravamento do conflito no Oriente Médio na semana anterior, nesta segunda houve "um enfraquecimento do dólar", segundo especialistas Foto : Adriana Toffetti / Ato Press / Estadão Conteúdo / CP

O dólar seguiu em queda e fechou abaixo de R$ 5,09 nesta segunda-feira, 20, marcada pela desvalorização da divisa americana ante moedas emergentes. Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha voltado a endurecer o tom contra o Irã à tarde, o fato de Teerã ter confirmado a proposta de mediadores para reduzir as tensões com Washington foi predominante e guiou a interpretação de que há espaço para arrefecimento do conflito.

O real conta ainda com juros elevados, o que beneficia operações de carry trade, e petróleo valorizado, o que ajuda nos termos de troca, como fatores de apoio. Assim, o dólar à vista caiu 0,42%, a R$ 5,0896, e o futuro para agosto recuava 0,50%, a R$ 5,1045, por volta das 17h - em dissonância com o DXY, que mede a divisa americana contra pares fortes e subia 0,18%. No mês, o dólar cai 1,42% e no ano, -7,28%.

Após um agravamento do conflito no Oriente Médio na semana anterior, nesta segunda houve "um enfraquecimento do dólar principalmente contra pares emergentes, justamente pela reação à não escalada das tensões", afirma o gerente da Tesouraria do banco Daycoval, Otávio Oliveira.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que "o fato de mediadores estarem atuando e tentando evitar uma escalada das tensões é real". Ainda assim, o país evitou comentar relatos de que o Catar teria sugerido um cessar-fogo de 10 dias e, nesta tarde, Trump voltou a endurecer o tom ao afirmar que Teerã "pagará muitas vezes" por cada soldado americano morto.

O movimento de escalada e arrefecimento das tensões entre Washington e Teerã já aconteceu várias vezes, observa Oliveira. "Não tem nada muito definitivo com relação à questão Irã e Estados Unidos. Não acharia nem um pouco impossível que daqui um mês ou duas semanas, haja um novo agravamento e, por consequência, daqui um tempinho, um novo cessar-fogo e nova retomada das negociações", avalia.

Como resultado, o petróleo Brent para setembro, referência à Petrobras, subiu 1,27%, a US$ 89,22. Para o especialista em câmbio e sócio da One Investimentos, Matheus Massote, o real é favorecido pela condição do Brasil de exportador líquido de petróleo. "Sempre que o preço do petróleo avança, o Brasil costuma ter mais entrada de dólares, o que valoriza a nossa moeda", comenta.

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A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho, com exportações crescendo 6,7% no acumulado do mês ante mesmo período de 2025 e sendo puxadas por Indústria Extrativa.

Tanto Massote, da One, quanto Oliveira, do Daycoval, destacam o carry trade via real, com o diferencial de juros elevado do Brasil em relação a outros países. Assim como na sexta-feira, a curva de juros abriu a partir dos vértices intermediários, após o Boletim Focus mostrar que a mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2028 subiu de 3,70% para 3,78%. "O número mostra maior incerteza no âmbito fiscal, considerando que o presidente que ganhar as eleições tem o desafio de resolver essa questão complicada. Independente de se o governo será de esquerda ou direita, o Brasil já está com dívida de quase 80% do PIB", afirma o gerente de Tesouraria do Daycoval.

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