Economia

Dólar recua e fecha abaixo de R$ 5,15 após alta inicial com Bolsa Família

Moeda chegou a R$ 5,17 durante o dia, mas perdeu força com melhora do ambiente externo e encerrou em queda de 0,23%

Moeda chegou a R$ 5,17 durante o dia, mas perdeu força com melhora do ambiente externo e encerrou em queda de 0,23%
Moeda chegou a R$ 5,17 durante o dia, mas perdeu força com melhora do ambiente externo e encerrou em queda de 0,23% Foto : Arun SANKAR / AFP / CP

Após uma arrancada no fim da manhã com o anúncio do reajuste de 15% no Bolsa Família pelo governo Lula, o dólar perdeu fôlego ao longo da tarde e encerrou a sessão desta quinta-feira, em leve queda, abaixo da linha de R$ 5,15.

Operadores não identificaram um gatilho específico para a recuperação do real, mas mencionam o ambiente de apetite ao risco no exterior, diante da retração nos preços do petróleo e do recuo nos juros internacionais, e a percepção de que o aumento do Bolsa Família não tende a se traduzir automaticamente em melhora das intenções de voto do presidente Lula.

Na gangorra cambial, a divisa chegou a descer até a mínima de R$ 5,1258 no início dos negócios, para depois alçar voo até R$ 5,1768 pouco antes das 11h. Após girar ao redor da estabilidade ao longo da tarde, fechou em baixa de 0,23%, a R$ 5,1393, mas ainda sobe no acumulado da semana (0,27%).

O economista Fabrizio Velloni destaca a acomodação da moeda americana no exterior, após a alta firme de quarta, na esteira do discurso duro do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. Como esperado, o BC americano subiu a taxa básica do País em 0,25 ponto porcentual, para a faixa 3,75% e 4% ao ano.

A maioria dos dirigentes do Fed projeta nova alta ainda neste ano, como revelou o chamado "gráfico de pontos", que traz estimativas para indicadores econômicos. "Havia expectativa de que o tom do BC levasse a uma pressão maior sobre as divisas emergentes, mas isso não aconteceu. Parece ter ajudado o real", afirma Velloni, ressaltando que a perspectiva ainda é de aperto monetário nos EUA, com um mercado de trabalho apertado e ausência de sinais de arrefecimento da inflação.

Veja Também

Além disso, o diferencial de juros interno e externo segue elevado, a despeito da alta nos EUA e de o Comitê de Política Monetária (Copom) ter reduzido na quarta a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 13,75% ao ano, deixando, em seu comunicado, a porta aberta para novos cortes.

Para o economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia, a recuperação dos ativos domésticos após as perdas iniciais com o anúncio do reajuste do Bolsa Família pode ser atribuída à avaliação de que não há mudança fiscal relevante no curto prazo e à percepção de que a medida não altera de forma expressiva as expectativas para o desfecho da corrida eleitoral.

"O reajuste pode ajudar marginalmente o presidente Lula, especialmente entre famílias de baixa renda, em uma eleição muito acirrada, mas eu teria cautela em ver a medida como um divisor de águas", afirma Abadia. "Os eleitores estão focados em temas como inflação, taxa de juros, emprego e segurança pública."

Empreendedoras Braskem forma sua quarta turma no RS

O programa é voltado para mulheres que desejam criar ou profissionalizar um pequeno negócio