Economia

Em agenda no RS, ministra Luciana Santos confere chegada de maquinários à Ceitec

Unidade recebe equipamentos de tecnologia em microeletrônica, com o objetivo de posicionar o país nas cadeias globais de semicondutores

Titular da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação acompanhou os novos maquinários de alta tecnologia que chegaram à unidade
Titular da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação acompanhou os novos maquinários de alta tecnologia que chegaram à unidade Foto : Alina Souza

Cumprindo uma série de agendas técnicas em Porto Alegre, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, conferiu, na manhã desta segunda-feira, a chegada de novos maquinários de alta tecnologia entregues ao Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), empresa pública vinculada ao MCTI.

Os materiais consolidam cerca de 50% de execução física do projeto de implantação de uma rota fabril de semicondutores de carbeto de silício (SiC). O investimento nos equipamentos é de R$ 220 milhões, oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), via contrato firmado com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em 2024.

A unidade é estratégica para os trabalhos de tecnologia brasileira em microeletrônica, com o objetivo de posicionar o país nas cadeias globais de semicondutores. A rota atende dispositivos de alta potência usados na transição energética e na descarbonização, com aplicações em veículos elétricos, geração de energia eólica e solar e infraestrutura de saúde.

Além do projeto do SiC, a empresa retomou a fabricação de seu portfólio tradicional de chips de identificação por radiofrequência (RFID) usados na identificação de carros, restabelecendo parcerias de pesquisa e desenvolvimento com instituições da região.

"Uma das determinações do presidente Lula é nos inserirmos nas cadeias mais dinâmicas da economia global. Os semicondutores estão dentro dos desafios da transição e da transformação digital. Em um conjunto de arcabouço legal que a gente tem no país, está o plano de ação para para indústria de semicondutores e a reversão da liquidação da Ceitec, que aconteceu no governo anterior. É uma determinação do presidente a gente retomar a fabricação de semicondutores, porque essa é uma união necessária", destacou a ministra.

A Ceitec foi criada em Porto Alegre em 2008, no primeiro governo Lula, e extinta em 2020, por Bolsonaro. Porém, a reversão da liquidação foi autorizada em novembro de 2023 e, desde então, tem recebido investimentos para a sua movimentação.

Ministra visitou a sala limpa da Ceitec | Foto:

Implantador iônico

O principal equipamento vistoriado pela ministra é um implantador iônico, acelerador eletrostático de partículas que bombardeia materiais com íons para modificar suas propriedades físicas, elétricas e químicas. A máquina é a única na América do Sul, e especializada em trabalhar com carbeto de silício, composto químico formado por silício e carbono. São várias equipes envolvidas na engenharia da máquina, que apresenta desafios de engenharia e logística. Ela foi comprada de uma fabricante japonesa, e o trabalho de construção e implementação conta com a participação de equipes de outros países.

Para chegar ao Brasil, ela foi desmontada em 18 grandes blocos, que, sozinhos, pesavam mais do que quatro toneladas. Os equipamentos vieram de navio da China ao porto de Rio Grande.

O presidente da Ceitec, Augusto Gadelha, destacou a importância da visita da ministra e da atenção dada para o projeto de recuperação do centro. "Este é um equipamento de ponta para a tecnologia que queremos, que é a de semicondutores de potência", destacou. "É uma tecnologia que tem um crescimento grande no mundo inteiro, e estamos na fronteira dessa tecnologia. Esse equipamento nos permite dar um passo para o ingresso de nossa atuação no setor de semicondutores de todo mundo".

Ministra Luciana Santos ao lado do presidente da Ceitec, Augusto Gadelha | Foto:

Agenda segue com assinatura de protocolo para prevenção de eventos climáticos

À tarde, Luciana Santos participa da assinatura do Protocolo de Intenções para cooperação científica e institucional de longo prazo entre o MCTI e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) voltado à gestão de riscos climáticos e ambientais. A parceria estrutura a atuação conjunta por meio do Centro de Gestão de Riscos Climáticos e Ambientais (CGRCA) da universidade, que recebeu R$ 18 milhões do FNDCT, via Finep, para expansão e modernização de sua infraestrutura de pesquisa.

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