Em um cenário de instabilidade com diferentes conflitos geopolíticos, como as constantes aplicações de sobretaxas dos Estados Unidos aos produtos, a incerteza predomina no comércio mundial. No entanto, especialistas destacam que as empresas brasileiras podem aproveitar oportunidades que já estão postas. Para a executiva do Conselho de Comércio Exterior da Fiergs, Thaisa Rodrigues, e a analista técnica do Conselho de Comércio Exterior da Fiergs, Gabriela Toledo, as oportunidades do acordo entre a União Europeia e o Mercosul é uma delas.
A dupla palestrou sobre o assunto na 3ª edição do Seminário de Atualização em Comércio Exterior, que ocorreu nesta quinta-feira na Fiergs, em Porto Alegre. Thaisa destacou a complexidade e a robustez do acordo, e o quanto pode trazer possibilidades no crescimento da economia, das exportações e da atração de investimento para as empresas. Mas também, pontuou o quanto cada setor também precisa entender suas particularidades, principalmente pensando no Rio Grande do Sul.
“É importante se aprofundar sobre questões da tarifa em si, quanto tempo vai chegar o imposto a zero, entender quais outros aspectos que estão sendo contemplados no acordo que são importantes que a empresa compreenda e entenda oportunidades, e também sensibilidades. Porque, com o acordo, a gente também vai ter uma maior concorrência dos produtos aqui.”
Thaisa também pontuou o quão complexo e robusto é o acordo e o quanto ele pode significar possibilidades de aumento no crescimento da economia, das exportações, da atração de investimento para as empresas, o quanto que cada setor também precisa entender agora as suas particularidades.
Gabriela lembrou que, com o acordo finalizado e em vigor, cabe às empresas buscarem informações sobre as oportunidades de exportações dos seus produtos, e estudar se têm realmente interesse para ingressar no mercado europeu. “Provavelmente, vai ter uma oportunidade para ganhar mercado lá. Da mesma forma, analisar se as empresas podem tanto ganhar em competitividade, importando um produto de forma mais barata, ou para se proteger da possível entrada de concorrentes no mercado brasileiro também.”
A União Europeia é o segundo principal destino das exportações como bloco e terceiro mais importante parceiro comercial do Rio Grande do Sul, lembra Thaisa. “A gente já tem um comércio muito forte com a União Europeia. A tendência é que a gente consiga expandir ainda mais as nossas exportações daqueles produtos que a gente tem competitividade, mas a gente também precisa ficar atento para alguns setores que haja mais sensibilidade.” Ela lembrou que as empresas ainda têm tempo até se adequarem. O importante é que entendam como podem ocupar o espaço nas cadeias globais e tirar vantagens disso.
Em relação à situação das tarifas, o melhor caminho para as empresas é abrir novos mercados e estabelecer novos acordos, devido ao cenário incerto com os EUA, destacou Gabriela. No Brasil, ainda há a Lei da Reciprocidade, que permite ao País aplicar as mesmas tarifas impostas pelos EUA. O plano Brasil Soberano também está auxiliando a proteger empresas brasileiras, exportadoras e setores estratégicos afetados pelas sobretaxas.
Luciano D'Andrea, gerente de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiergs, destacou a importância do seminário diante do atual cenário do comércio internacional, inclusive com alterações no modelo do sistema internacional de comércio.
"As tarifas, principalmente impostas pelo governo norte-americano, têm causado uma nova circunstância no comércio internacional, transformando muito mais do que um elemento arrecadador e de finalidade comercial, em finalidade geopolítica, onde o sistema multilateral de comércio que estamos acostumados no pós-guerra está se fragmentando a partir desse novo modelo de negociação. Os países, agora, passam a se emparcelar bilateralmente, justamente para contrapor os efeitos, por exemplo, das tarifas americanas."
Ele ressalta que, agora, cada país busca alternativas para se tornar competitivo, tanto na atração de investimentos quanto nas exportações. Ainda, que o acordo UE-Mercosul poderá gerar reflexos importantes para a economia gaúcha.
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