As novas tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre diversos produtos canadenses entraram em vigor a 0h01 deste sábado (1h01 no horário de Brasília). A medida foi adotada após o encerramento sem acordo das negociações entre Washington e Ottawa na última sexta-feira (21).
Sem o consenso, a sobretaxa passa a incidir sobre mercadorias avaliadas em quase US$ 20 bilhões (cerca de R$ 102 bilhões) — o equivalente a 5,5% do total exportado pelo Canadá para o mercado norte-americano. A lista de itens afetados abrange desde tacos de hóquei até cimento.
Em resposta, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, prometeu que o país igualará as tarifas americanas "dólar por dólar" para proteger trabalhadores e empresas locais. Carney afirmou que, embora avanços importantes tenham sido feitos, as mudanças de última hora propostas por Washington eram "injustas, antieconômicas" e colocavam em dúvida a confiabilidade de qualquer compromisso. O premiê destacou ainda a necessidade de o Canadá diversificar sua economia e reduzir a dependência dos EUA, destino de quase 70% das exportações do país.
Impasse e trocas de acusações
O ministro do Comércio do Canadá, Dominic LeBlanc, passou a semana em Washington em uma tentativa de conter a crise na relação bilateral, desgastada desde o início do segundo mandato de Trump. As reuniões se encerraram sem acordo após Washington acusar Ottawa de recuar em compromissos e apresentar novas exigências.
O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, declarou que o governo americano ofereceu tarifas reduzidas para setores específicos — como aço, alumínio, automotivo e madeira — em troca de concessões canadenses. Segundo Greer, o Canadá recusou os termos e manteve "retaliações prolongadas", como restrições a produtos americanos.
A Casa Branca também alegou "tratamento discriminatório" contra bebidas alcoólicas, produtos automotivos e laticínios dos EUA. A insatisfação americana concentrou-se na retirada de bebidas dos EUA das prateleiras de lojas provinciais, medida que Carney havia solicitado que fosse revertida.
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Impactos e futuro do T-MEC
Um alto funcionário do governo americano afirmou que o Canadá pediu concessões adicionais inviáveis para os EUA, mas ressaltou que as conversas foram francas, sem hostilidades. No momento, não há novas reuniões agendadas.
Analistas alertam para o acirramento das tensões. Ryan Majerus, ex-funcionário do Departamento de Comércio dos EUA, declarou que as tarifas de retaliação do Canadá tornarão mais difícil reduzir o conflito. Já Christopher Padilla, ex-integrante do governo americano e atual representante do Brunswick Group, pontuou que empresas de ambos os lados mantêm a esperança de um acordo para superar 18 meses difíceis na relação bilateral.
As tarifas dos EUA haviam sido anunciadas em julho e deveriam vigorar desde a última quarta-feira, mas Trump concedeu uma isenção de três dias para tentar fechar o acordo. Além do impasse tarifário, EUA e Canadá ainda precisam negociar as revisões do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC), que também envolve o México e teve sua renovação recusada por Trump no mês passado.