Economia

Fiergs debate impactos do fim da escala 6x1 e alerta para efeitos na indústria

Encontro com deputado federal discutiu a PEC que trata do tema e os possíveis reflexos na economia

Deputado federal Lucas Redecker foi o convidado da Fiergs para falar sobre a tramitação do projeto
Deputado federal Lucas Redecker foi o convidado da Fiergs para falar sobre a tramitação do projeto Foto : Alina Souza

Uma reunião-almoço da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) recebeu na segunda-feira, em Porto Alegre, o deputado federal Lucas Redecker para discutir com lideranças sindicais a tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata das mudanças na jornada de trabalho, com o fim da escala 6x1.

O debate ocorre em meio à preocupação da indústria com os impactos econômicos das possíveis alterações. Estimativas apontam que a redução da jornada para 40 horas semanais pode elevar significativamente os custos das empresas, com reflexos diretos na competitividade e na manutenção de empregos.

Para o presidente da Fiergs, Claudio Bier, o encontro foi uma oportunidade de diálogo direto com quem acompanha a tramitação das propostas em Brasília. “É uma satisfação receber o deputado, que sempre defendeu a indústria. Ele está vivendo o problema de perto e nós estamos aqui para ouvi-lo e também passar subsídios, para que ele tenha mais argumentos para nos defender lá na Câmara”, afirma.

Bier avalia que a mudança pode trazer consequências amplas para o setor produtivo. “Não existe como não ser muito impactado. Nós vamos perder competitividade. Esse custo as empresas não suportam, vão ter que repassar para alguém, e quem paga é a população em geral, inclusive os próprios trabalhadores”, diz.

Segundo ele, há risco de efeitos como aumento de preços e até redução de postos de trabalho. “A empresa que não repassar esse custo não vai longe. E aí pode haver desemprego”, completa.

Durante o encontro, Redecker destacou que o projeto conta com a aprovação da grande maioria dos deputados e, com isso, o objetivo das discussões deixou de ser com relação à contrariedade, buscando encontrar maneiras de mitigar os impactos. “O que nós temos que fazer é ter uma transição justa, para que as empresas consigam se adaptar e também encontrar formas de compensação”, afirma.

O parlamentar menciona que medidas como desoneração da folha de pagamento e ajustes tributários podem ser discutidas como formas de equilíbrio. “Acho que ninguém é contra um benefício ao trabalhador. A questão é como manter os empregos e evitar que isso vire uma bola de neve, onerando o consumidor final”, ressalta.

Ao final do evento, a Fiergs entregou um ofício ao deputado, agradecendo pelo pedido de vistas apresentado na comissão que analisa a PEC na Câmara dos Deputados. A medida tomada por Redecker foi alvo de questionamentos nas redes sociais, mas reconhecida pela entidade como importante para ampliar o debate.

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