Economia

Fiergs lamenta anúncio dos EUA e prevê desafios para indústria gaúcha com novo tarifaço

Presidente da federação vê retrocesso e defende medidas compensatórias em caso de manutenção por mais tempo das taxas

Cláudio Bier salientou necessidade de atuação diplomática coordenada
Cláudio Bier salientou necessidade de atuação diplomática coordenada Foto : Camila Cunha / CP Memória

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul, Sistema FIERGS, divulgou nota em que lamenta a decisão, anunciada nesta quarta-feira (15) pelo governo dos Estados Unidos, de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. “A medida amplia as barreiras ao comércio bilateral e traz novos desafios para a indústria gaúcha, especialmente para segmentos com forte presença nas exportações ao mercado norte-americano, como armas e munições, madeira, calçados e tabaco”, analisou nota.

Para o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, a decisão compromete a competitividade das empresas, reduz a previsibilidade dos negócios e pode gerar impactos sobre investimentos, emprego e renda no Rio Grande do Sul. "É um retrocesso nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e impõe mais um desafio à indústria brasileira e gaúcha. É fundamental que o governo brasileiro mantenha as negociações com as autoridades norte-americanas para buscar a reversão dessa medida e ampliar a lista de produtos contemplados por exceções”, avalia.

Em caso de manutenção das medidas, defende a implantação de medidas compensatórias. “Ao mesmo tempo, é necessário preparar políticas públicas de apoio aos setores mais afetados, nos moldes das iniciativas adotadas no ano passado, com linhas especiais de financiamento e iniciativas para auxiliar as empresas impactadas. O momento exige uma atuação coordenada, técnica e diplomática para preservar a capacidade competitiva da indústria brasileira e minimizar os efeitos sobre a economia e o emprego", ressalta o presidente do Sistema FIERGS.

O governo de Donald Trump confirmou novas tarifas contra o Brasil. A informação foi compartilhada em entrevista coletiva, na noite desta quarta-feira, 15, pelo chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, convocado a apresentar o resultado da investigação sobre práticas brasileiras sujeitas a novas tarifas. Representantes do USTR sinalizaram que, nas próximas horas, publicarão detalhes e uma lista oficializando os produtos que serão afetados no Federal Register, uma espécie de Diário Oficial. “Tentamos negociar formas de mitigar políticas do governo do Brasil”, disse Greer.

A Seção 301, na qual se baseiam as novas tarifas, é um mecanismo da Lei de Comércio de 1974 que permite ao USTR investigar e retaliar países cujas políticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano. No início de junho, o USTR divulgou a recomendação de sobretaxas a produtos brasileiros com base na Seção 301, acusando o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico – como o Pix –, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.

O governo dos EUA também se queixa de benefícios dados pelo Brasil a parceiros comerciais como Índia e México, sem conceder os mesmos termos a produtos norte-americanos, o que cria condições desvantajosas.

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